Dilma fala à imprensa estrangeira e diz ser vítima de golpe

Presidente convidou jornalistas de seis publicações internacionais para esclarecer a situação político-econômica do Brasil. Ela ressaltou que seguirá no mandato e atacou Eduardo Cunha

O Planalto selecionou seis veículos da imprensa internacional para entrevistar a presidente Dilma Rousseff e, segundos os planos do Executivo, espalhar pelo mundo a notícia de que ela não vai renunciar e que o processo de impeachment contra a petista é uma tentativa de golpe à democracia. A entrevista foi realizada nesta quinta-feira (24) no Palácio do Planalto e reuniu representantes da mídia de seis países diferentes: Le Monde (França), The Guardian (Inglaterra), The New York Times (EUA), El País (Espanha), Pagina 12 (Argentina) e Die Zeit (Alemanha).

A abertura de diálogo entre Dilma e a imprensa internacional ganhou força em Brasília depois que alguns destes jornais se manifestaram sobre a saída de Dilma do poder. No domingo (20), o The Guardian avaliou que a melhor saída para Dilma seria a renúncia. O The New York Times, em editorial, criticou a nomeação de Lula para a Casa Civil. Por fim, na capa da edição para as Américas da revista britânica The Economist a foto de Dilma foi acompanhada da frase "Time to Go", ou, "hora de partir".

A presidente aproveitou para garantir ao mundo que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro serão um sucesso. Segundo Dilma, "a paz reina" no Brasil e o país vai proporcionar aos turistas a melhor edição das Olimpíadas da história.

Repercussão

Até o momento, dois dos seis veículos presentes na entrevista com Dilma publicaram matérias a respeito da situação política brasileira. O The Guardian enfatizou que a presidente disse que "nunca vai renunciar". De acordo com a publicação inglesa, Dilma advertiu que qualquer tentativa de removê-la do poder ilegalmente deixaria cicatrizes duradouras sobre a democracia brasileira.

A publicação britânica ressaltou que o Brasil está diante do pior escândalo de corrupção de sua história e prestes a ter uma presidente impedida de continuar seu mandato menos de dois anos depois da reeleição. Dilma lembrou que, desde a época de Getúlio Vargas (que governou o Brasil entre 1930 e 1945), todos os presidentes da República enfrentaram processos de impeachment. A petista destacou que vai terminar o mandato com louvor.

Deu no New York Times

Já o The New York Times, enfatizou o tom desafiador de Dilma com relação aos escândalos e descreveu ataques da presidente a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. Segundo a publicação, Dilma disse que Cunha colocou o processo de impeachment em andamento como uma forma de desviar a atenção de seus próprios problemas legais, que envolvem acusações de suborno e lavagem de dinheiro.

O jornal voltou a tratar da nomeação de Lula, como na última semana. Dilma, por sua vez, justificou que o ex-presidente é seu "parceiro" e que tem enorme valor pelos seus talentos para negociações políticas para um momento de crise como o que está em curso no Brasil.

A publicação destacou também os protestos contra o governo e a pesquisa do Datafolha que mostrou que 68% da população brasileira é a favor da saída da presidente. Sobre as manifestações, Dilma admitiu que "não é agradável ser vaiada", mas ponderou que "dorme bem à noite" e que respeita os institutos de pesquisa, mas vai dar a volta por cima.

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