Dilma chora ao falar sobre manifestações

Em cerimônia de sanção do novo Código de Processo Civil, presidenta desvia do tema e se emociona ao lembrar do regime de exceção, que reprimia protestos. “Nunca mais isso vai acontecer”

Em cerimônia de sanção do novo Código de Processo Civil (CPC), a presidenta Dilma Rousseff (PT) afirmou há pouco que as manifestações de sexta-feira (13) e deste domingo (15) fazem parte dos valores democráticos brasileiros, e que "valeu a pena" ter combatido a ditadura militar (1964-1985) em sua juventude. Nesse ponto do discurso, Dilma chegou a chorar quando afirmou que “nunca mais vamos ver pessoas sofrerem consequências” por irem às ruas protestar, em uma referência direta ao regime de exceção. Dilma foi presa naquela época por integrar grupos contrários ao regime político na época.

“Nunca mais vamos ver pessoas que, ao se manifestarem, mesmo contra a presidente da República, possam sofrer quaisquer consequências. Nunca mais isso vai acontecer”, discursou Dilma, já com a voz embargada e com os olhos marejados, interrompida por aplausos. “Não pude deixar de pensar e tenho certeza que muitos aqui concordam comigo. Valeu a pena lutar pela liberdade. Valeu a pena lutar pela democracia. Esse país está mais forte do que nunca!”

Na solenidade, realizada no Palácio do Planalto, Dilma recebeu, entre outros, o ex-presidente da República José Sarney, autor do projeto de revisão do CPC, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, presidente da comissão de juristas que promoveu a elaboração do novo código. Para Dilma, o texto sancionado hoje (segunda, 16) “democratiza ainda mais o acesso à Justiça ao ampliar e facilitar a gratuidade ou o parcelamento das despesas judiciais”. “Diminui, assim, a natural inibição da busca da Justiça por aquele que, sem recursos, desistiam de pleitear seus direitos por não terem como pagar as custas de um processo”, observou.

Ao final da cerimônia, da qual também participaram ministros e juristas envolvidos na atualização do Código, Dilma inovou na agenda e seguiu para uma coletiva de imprensa em um auditório do Palácio do Planalto. Na entrevista com diversos veículos de comunicação, Dilma continua falando sobre o direito às manifestações e sobre as medidas em curso para resolver a crise político-econômica.

As manifestações de domingo reuniram aproximadamente 2 milhões de pessoas em todo o Brasil. Após os protestos, Dilma fez uma reunião com o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e mais nove ministros integrantes do conselho político do governo federal para avaliar o impacto das manifestações. Fazem parte conselho político, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Eduardo Braga (Minas e Energia), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Gilberto Kassab (Cidades), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Pepe Vargas (Relações Institucionais).

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