Dilma bateu no ‘fundo do poço’, diz diretor do Datafolha

Para Mauro Paulino, redução no número de manifestantes indica que presidenta não deve afundar mais. Mas pesquisas indicam que desgaste do PT atinge agora até o ex-presidente Lula, observa

A presidenta Dilma Rousseff (PT) já bateu no fundo do poço e, ao que tudo indica, não afundará mais. A avaliação é do diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino. Para ele, a redução no número de manifestantes nas ruas no último domingo (12), em comparação com os protestos de 15 de março, indica que a rejeição à presidenta estancou, mas não confirma que o cenário melhorou para o PT. Com base em pesquisa feita pelo instituto, Paulino afirma que a crise do governo atinge até o ex-presidente Lula. “Dessa vez Lula não saiu incólume”, declarou o diretor do Datafolha em entrevista ao Valor Econômico.

Paulino cita simulação feita pelo instituto que mostra que o ex-presidente petista perderia hoje para o tucano Aécio Neves em uma eventual disputa presidencial: 29% a 33%. Ele também destaca que tem diminuído a cada pesquisa o percentual de brasileiros que consideram o petista o melhor presidente da história do país. “Essa taxa já chegou a mais de 70%, em 2010, e vem caindo. Agora está em 50%", observa.

O diretor do Datafolha acredita que a iniciativa de ir às ruas para protestar é mais emocional do que racional. “É mais um sentimento de raiva”, avalia. Ele entende que os manifestantes se dividem em dois grandes grupos: os “refratários”, que não votaram na petista, não se conformam com a derrota e rejeitam fortemente o governo, e os “frustrados”, que se arrependeram de ter votado em Dilma pelo não cumprimento de promessas de campanha.

Mauro Paulino ressalta que há uma “forte dose de desinformação” entre os manifestantes. Segundo o Datafolha, apenas 12% dos apoiadores do impeachment de Dilma sabem que seu sucessor, em um eventual processo de perda de mandato, seria o vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Para ele, as manifestações de 15 de março tiveram um ingrediente a mais como motivador para levar às ruas mais de 2 milhões de pessoas, segundo as polícias militares: o pronunciamento de Dilma uma semana antes, no Dia Internacional da Mulher. Enquanto a presidenta discursava em cadeia de rádio e TV, em diversas capitais brasileiras manifestantes protestavam com um panelaço.

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