Dilma anuncia plano de mobilidade urbana

Para ela, a violência envergonha o país. Ela disse ter a obrigação de ouvir a voz das ruas e pretende contribuir para a aprovação de uma reforma política. Também adiantou conversa com prefeitos e governadores

Na segunda semana de protestos pelo país, a presidenta Dilma Rousseff usou pela primeira vez a rede de rádio e televisão para fazer um pronunciamento oficial. Nos quase dez minutos de discurso, ela anunciou a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que vai conversar com prefeitos e governadores sobre tarifas e transportes na próxima semana que a ordem será mantida.

Veja a íntegra do pronunciamento

Em rede nacional de rádio e televisão, ela anunciou que o foco será primeiro a elaboração do plano que deve privilegiar o transporte coletivo. Por isso, disse que vai conversar com prefeitos, governadores e dos outros poderes para "somarmos esforços. "Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos", discursou.

Depois do transporte, o foco do governo se voltará para a destinação de 100% dos recursos do petróleo para a educação. O projeto tramita na Câmara em regime de urgência e deve ser votado na próxima semana. Por fim, defendeu a importação de médicos para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) em municípios do interior e nas periferias das grandes cidades.

Protestos

A presidenta também afirmou que o governo está ouvindo as "vozes democráticas" que pedem mudanças no país. A pauta de reivindicações é extensa. Nas mais diversas cidades do país, mais de 1 milhão de pessoas estiveram nas ruas pedindo um melhor transporte, a derrubada da PEC 37, que proíbe o Ministério Público de investigar, melhores condições na educação e saúde, além da diminuição da tarifa.

Ela afirmou que os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, "mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira". "Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo", afirmou.

Reforma política

Dilma ainda anunciou que vai receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. "Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente", afirmou.

No discurso, a presidenta disse também que é preciso "oxigenar" o sistema político. Para isso acontecer, de acordo com Dilma, ela vai contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política. "É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes", opinou.

 

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