Desemprego nas metrópoles fica em 6,8% em 2015, o maior desde 2009

Pesquisa do IBGE aponta que redução do consumo, excesso de endividamento das famílias, a recessão e reflexo da Lava Jato nas empreiteiras respondem pelo encolhimento do mercado de trabalho

A taxa média de desemprego ficou em 6,8%, no ano passado, nas seis maiores regiões metropolitanas do país – dois pontos percentuais acima da taxa de 2014, que ficou em 4,8%. Os dados são do IBGE e foram divulgados nesta quinta-feira (28).  O desemprego cresceu, enquanto a renda do trabalhador encolheu numa velocidade que não era vista há mais de uma década.

Diante da combinação de desemprego e inflação alta, o rendimento médio do trabalhador foi de R$ 2.265,09, no ano passado, revelando queda de 3,7% em relação a 2014, informa a pesquisa. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE leva em conta as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.

Maior

Nunca havia sido registrada pela PME uma piora do mercado de trabalho com esse ritmo, desde que a sondagem foi iniciada, em março de 2002. Também foi a maior taxa média de desemprego desde 2009 (8,1%).

Houve recuo no número de pessoas empregadas, de 23,3 milhões para 23,7 milhões de pessoas, de 2014 para 2015, considerando a média anual - queda de 1,6%. A maior queda da série histórica.

Se comparados os meses de dezembro de 2014 e 2015, a queda é ainda maior, de 2,7%. Foram 642 mil empregos perdidos.

Consumo

Tiago Cabral, economista do Instituto de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a piora do mercado de trabalho tem origem parcial no fim do ciclo de crescimento baseado no consumo das famílias.

"As políticas do governo de incentivo ao consumo endividaram demais as famílias. São 59 milhões de consumidores inadimplentes. Agora, com aumento de juros, esses consumidores cortaram gastos e afetaram a indústria", afirmou Tiago.

Ainda segundo Cabral, a redução dos investimentos e os efeitos da Lava Jato sobre empreiteiras contribuíram também para afetar o desempenho do mercado de trabalho, principalmente na construção.

Em dezembro, a indústria cortou 296 mil empregos, em comparação com o mesmo mês de 2014, uma queda de 8,4%. O comércio cortou 112 mil postos no mesmo período, registrando baixa de 2,5%.

Por causa da crise, mais pessoas procuraram emprego no ano passado. Jovens, idosos e donas de casa que estavam afastados do mercado de trabalho, apoiados na renda familiar mais alta, tentaram retornar.

Soma-se a isso a massa de pessoas que perderam emprego e pressionaram as estatísticas. Na média anual, 1,7 milhão de trabalhadores não conseguiram emprego no ano passado - crescimento de 42,5%. Eram 659 mil pessoas a mais na fila de emprego, em dezembro - 61,4% a mais do que no mesmo mês de 2014. Isso significa 1,73 milhão de pessoas.

Temporários

Tomando-se apenas o mês de dezembro de 2015, a taxa de desemprego foi de 6,9%, abaixo dos números de novembro do ano passado (7,5%) e maior do que no mesmo período de 2014 (4,3%). Já era esperada a redução, na passagem dos meses de novembro para dezembro, por causa dos empregos temporários do final de ano.

A pesquisa do IBGE registra também que parte dos desempregados costuma deixar de procurar emprego no fim de ano e retomar a busca no início do ano seguinte.

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