Luislinda Valois é a nova secretária da Igualdade Racial

Considerada a primeira mulher negra a se tornar juíza no Brasil, Luislinda Valois vai comandar secretaria vinculada ao Ministério da Justiça. Neta de escravo, ela foi autora da primeira sentença de condenação por racismo no país

Foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (13) a nomeação da desembargadora Luislinda Dias de Valois Santos para assumir a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Conforme adiantou este site, o nome da desembargadora aposentada, considerada a primeira mulher negra a se tornar juíza no Brasil, vinha sendo defendido pelos partidos que integram a base aliada do governo Temer para comandar a Seppir.

Natural de Salvador (BA), neta de escravo, filha de um motorneiro de bonde e uma passadeira e lavadeira, Luislinda tem reconhecida atuação no movimento negro. A desembargadora se graduou em Direito pela Universidade Católica de Salvador, em 1978. Ela também foi professora do Colégio Militar de Salvador.

Luislinda foi procuradora-geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (Dner), hoje Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), antes de passar em primeiro lugar em um concurso para a Advocacia-Geral da União (AGU).

Tornou-se juíza em 1984, adotando o uso de colares de candomblé em suas audiências. Foi autora da primeira sentença de condenação por racismo no país, em 1993. Criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e Cidadania, para resolução de conflitos em áreas pobres de Salvador.

Em 2011, Luislinda foi promovida a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), conquista que a fez conhecida nacionalmente. É autora do livro O negro no século 21.

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