Vídeo: desabrigados incendiam ônibus em protesto contra derrubadas no Distrito Federal

Após verem suas casas sendo derrubadas por estarem em área irregular, moradores do Núcleo Rural Morro da Cruz, em São Sebastião (DF), se revoltam e atacam coletivos

 

 

Cerca de 120 famílias perderam suas casas em operação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) realizada no Núcleo Rural Zumbi dos Palmares, na cidade de São Sebastião. Elas ocupavam uma área de aproximadamente 66 mil metros quadrados que pertence à Terracap, Agência de Desenvolvimento do Governo. Segundo o órgão, foram desocupados, ao todo, 30 mil metros quadrados.

Revoltados, alguns moradores do Núcleo Rural atearam fogo em três ônibus da Viação Pioneira – que atende à cidade de São Sebastião. Dois coletivos tiveram perda total e o terceiro ficou parcialmente danificado. Segundo a empresa, cada ônibus perdido custa em média R$ 300 mil e o atendimento na região está suspenso desde as primeiras horas do dia.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, um dos ônibus abordados pelos manifestantes havia 20 passageiros. Ninguém se feriu. Uma passageira contou que pessoas chegaram a jogar combustível no veículo, mas foram impedidos de atear fogos pela polícia.

Já a Agefis, que capitaneia a operação, a terra é cedida pelo governo para uso rural e o chacareiro não tem permissão para loteá-la ou vendê-la. Os moradores, por outro lado, afirmam que ocupavam a área há mais de cinco anos e alguns chegaram a comprar o lote do suposto proprietário.

A advogada que representa os moradores afirmou que a ação do governo é "irresponsável" porque "não houve qualquer negociação com moradores, nem sequer notificação de que haveria a derrubada". Segundo a advogada, as pessoas daquela região não têm para onde ir e estão em situação de vulnerabilidade social. "São famílias, crianças e idosos que não têm escolha", conclui.

Religiosos contemplados

Enquanto casas eram derrubadas em São Sebastião, o governador Rodrigo Rollemberg entregou 35 escrituras para promover a regularização fundiária de templos religiosos e entidades de assistência social. Agora, os ocupantes dos terrenos podem comprá-los ou firmar contrato de concessão de direito real de uso. "Temos um país com grande diversidade cultural e religiosa, e essa é uma das maiores qualidades do Brasil", disse o governador.

A lista dos imóveis está nos anexos da lei e engloba representantes das religiões católica, evangélica, espírita e de matriz africana, além de entidades de assistência social. Há cerca de outros 1,5 mil endereços que cumprem os requisitos.

Veja o vídeo gravado por moradores no momento da chegada das tropas:

 

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