Derrotado ao governo, Henrique deixará a Câmara após 44 anos

Presidente da Casa perdeu a disputa para governador do Rio Grande do Norte e ficará sem mandato pela primeira vez desde 1971, após 11 legislaturas

A derrota do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para o governo do Rio Grande do Norte deixará o político de 65 anos sem mandato pela primeira vez em 44 anos de vida política. Nesse período, Henrique acumulou 11 mandatos de deputado federal. No final de janeiro, ele deixará a Casa com o mesmo número de legislaturas alcançado por um dos ícones de seu partido, o também ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB-SP), morto em 1992. Os dois só perdem em número de mandatos para o ex-deputado baiano Manoel Novaes, que participou de 12 legislaturas (1933-1982), detentor do recorde nacional.

Primo do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e sobrinho do também senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), Henrique renovou o mandato em todas as eleições para o Legislativo federal, sempre disputando o mesmo cargo. Com 98% das urnas apuradas, o peemedebista aparece com 723 mil votos (45,58%), menos do que os 863 mil (54,42%) obtidos pelo governador eleito, Robinson Faria (PSD), eleito em coligação com o PT. Ele assumiu a presidência da Casa no início do ano passado, em meio a denúncias.

Filho do ex-governador e ex-ministro Aloísio Alves, Henrique pertence a uma das duas principais oligarquias políticas do Rio Grande do Norte (a outra são os Maia). Em 2002, o parlamentar potiguar era nome forte para ser o vice na chapa do tucano José Serra à Presidência da República. Mas seus planos acabaram indo por água abaixo após publicação de reportagem pela revista IstoÉ. Sua ex-mulher o acusou de omitir da Receita Federal uma fortuna de US$ 15 milhões no exterior. Diante das denúncias, o nome dele foi descartado. A deputada Rita Camata foi chamada para compor como vice na chapa, que acabou derrotada com a primeira eleição do presidente Lula.

Em 44 anos de Câmara, o deputado só se licenciou do mandato para comandar a Secretaria de Governo e de Projetos Especiais do Rio Grande do Norte no governo do primo, Garibaldi Alves Filho, entre 2001 e 2002.

Na Câmara, Henrique Eduardo Alves foi o relator da lei de participação do capital estrangeiro nos veículos de comunicação. Além disso, foi segundo secretário da Mesa Diretora e já presidiu as comissões de Constituição e Justiça; Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Legislação Participativa; e de Trabalho, Administração e Serviço Público. Foi filiado ao MDB (1971-1979) e teve uma curta passagem pelo PP (1980-1982). Está no PMDB desde 1982.

Formado em Direito pela Faculdade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Henrique Eduardo foi diretor presidente da empresa Jornalística Tribuna, no Rio Grande do Norte, estado onde construiu toda sua trajetória política. É dono da Rede Cabugi, que, além da TV (retransmissora da Globo), inclui ainda a Rádio Globo/Cabugi (AM), de Natal;  a 104 FM, de Parnamirim; a Rádio Difusora de Mossoró (AM); a Rádio Cabugi do Seridó (AM), do Seridó; a Rádio Baixa Verde (AM), de João Câmara; e Pereira de Souza (SP)

Henrique Eduardo Alves nunca disputou outro cargo. “A Câmara é a minha casa. Gosto daqui”, afirmou. O deputado diz que não ambiciona ser governador nem senador por entender que essa prerrogativa é de outro integrante da família Alves. “Tenho uma parceria quase perfeita com o meu primo-irmão Garibaldi. Ele é mais conciliador e tem um temperamento ameno que está mais de acordo com esses cargos majoritários. Eu já tive de radicalizar muitas vezes dentro do partido”, disse.

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