Deputados querem lucro da Fifa para formar atletas

Parlamentares da Comissão do Esporte cobram que 10% dos R$ 2,5 bilhões que federação lucrará com a Copa no Brasil sejam destinados a centros de treinamento e pesquisa de doenças raras, como prevê lei. Fifa não se manifesta sobre o assunto

Deputados da Comissão de Esporte da Câmara querem que parte dos lucros da Fifa com a Copa do Mundo seja destinada à construção de centros de treinamento para formar atletas de clubes pequenos e médios, incentivar a prática esportiva por pessoas com deficiência e apoiar a pesquisa de doenças raras. A Lei Geral da Copa prevê esse aporte de recursos, mas apenas de maneira opcional. O deputado e ex-goleiro Afonso Hamm (PP-RS) defende que 10% dos lucros da Fifa, estimados em mais de R$ 2,5 bilhões, sejam destinados às três áreas.

 

Ele afirma ter obtido uma promessa de emissários da Fifa de que a entidade poderia doar R$120 milhões apenas para a construção de centros de treinamento. Procurada pelo Congresso em Foco, a assessoria de imprensa dos cartolas não esclareceu se irá fazer a doação de parte de seus lucros. De acordo com estudo da consultoria  Delta Economics & Finance, publicado na revista América Economia, a Fifa vai obter receitas de R$ 4,1 bilhões com a Copa, afora a venda de ingressos, bem mais que os R$ 3,3 bilhões apurados na África do Sul em 2010 e os R$ 2 bilhões na Alemanha, em 2006.

No início de abril, a comissão chegou a aprovar um requerimento de Arnon Bezerra (PTB-CE) para que uma comitiva de deputados fosse a Zurique, na Suíça, conversar pessoalmente com o secretário-geral da entidade, Jerome Valcke. Mas o cartola está todos os meses no Brasil, em visita a obras ou no escritório no Rio de Janeiro, assessorado por diretores e funcionários. Na Comissão do Esporte, a reclamação é que não se consegue marcar um encontro com Valcke para discutir o assunto e a viagem à Suíça seria uma forma de pressionar a entidade a responder positivamente à permissão de doação parte dos lucros prevista na Lei da Copa.

Em entrevista ao Congresso em Foco, Afonso Hamm disse que já foi aprovada uma audiência pública com Valcke e outros representantes da Fifa para debater o tema. O problema é faltam menos de 50 dias para a Copa – e não se sabe se isso vai acontecer. Ele destaca que a Lei Geral da Copa e a lei de isenções tributárias preveem uma série de benefícios para a entidade, como não pagar impostos, taxas de imigração e ter garantias de comercialização exclusiva nos estádios. Para Hamm, o artigo 29 na Lei é uma tentativa de trazer um “legado” esportivo para a formação de atletas no país.

Emissários

Hamm afirmou que três pessoas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) disseram-lhe que a Fifa aceitaria doar R$ 20 milhões para construir centros de treinamento antes da Copa. Outros R$ 80 milhões a R$ 100 milhões seriam investidos após o torneio. Mas, como tudo isso é informal, seria necessário ao menos conversar com a entidade máxima do futebol para acertar os termos. Até agora, não se conseguiu nada.

O deputado disse, se forem considerados os lucros da Fifa em apenas R$ 2,5 bilhões, os 10% significariam R$ 250 milhões. Desse valor, 70% ficariam com a construção de centros de treinamento e 30% com o incentivo a práticas esportivas para deficientes e à pesquisa de doenças raras.

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