Deputados querem eleger aliado de Temer para dirigir Câmara

Base de apoio do Planalto teme que um nome contrário às propostas de ajuste das contas públicas, da reforma na Previdência e das privatizações seja eleito no lugar de Cunha

Deputados aliados do presidente interino Michel Temer (PMDB) já discutem a escolha de um nome aliado ao Palácio do Planalto para substituir na Presidência da Câmara o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspenso do mandato e do cargo pelo Supremo Tribunal Federal desde o dia 5 de maio. Com pedido de cassação aprovado ontem (terça, 14) no Conselho de Ética, com acusação de ter mentido sobre contas não declaradas em paraísos fiscais, Cunha dificilmente conseguirá salvar seu mandato, na avaliação de parlamentares da base e da oposição.

A tendência de que Cunha seja cassado aumenta à medida que o deputado coleciona notícias desfavoráveis - como o bloqueio de seus bens pela Justiça Federal e a transformação de sua esposa, Cláudia Cruz, em ré na Lava Jato. O parecer do Conselho de Ética deverá ser votado na segunda quinzena de julho pelo plenário da Câmara. Este prazo está previsto porque o presidente afastado da Casa avisou que vai recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tentar reverter a decisão do Conselho de Ética. Aliados do Planalto defendem que, mesmo antes da votação do pedido de cassação de Cunha em plenário, o nome governista que irá concorrer como substituto de Cunha seja lançado.

O primeiro-secretário da Mesa Diretora, Beto Mansur (PRB-SP), defende que os aliados do novo governo escolham um nome ajustado com o pacote do Planalto para o ajuste das contas públicas: reforma da Previdência para reduzir despesas e adiar desembolso do Tesouro Nacional, limite das despesas da União com base na inflação passada, concessões e privatizações de estatais.

O próprio Mansur se coloca como alternativa. “Eu posso ser este nome, mas é preciso que haja uma articulação para que não haja risco de se escolher um deputado que não dê andamento às propostas do governo”, ponderou. O grupo conhecido como novo centrão, formado por 16 partidos médios que apoiaram o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), articula o lançamento de um nome disposto a resistir às tentativas de adiar as votações de temas importantes, com a adoção da tática de obstrução para derrubar sessões com baixo quórum.

Outro nome cogitado para a empreitada é o do presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR). Aliado de Cunha desde a eleição do presidente afastado, no ano passado, Serraglio tem a vantagem de pertencer à maior bancada na Câmara e ter trânsito em outras bancadas, como PSDB, DEM e PTB. Amigo do presidente Temer, o deputado paranaense é experiente e conhece o regimento como poucos.

A nova eleição para a escolha do presidente da Câmara vai encerrar um impasse que atualmente determina as reuniões do colégio de líderes, grupo que não reconhece a autoridade do presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA). Somente com a cassação de Cunha o cargo que ele ocupava até maio será considerado vago e, segundo o regimento interno, condição jurídica que permite a nova eleição para a escolha do segundo nome na linha sucessória da Presidência da República.

 

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