Deputados petistas criticam presidente da Câmara

Líder do PMDB saiu em defesa de Henrique Eduardo Alves. Reclamação teve origem na interpretação do regimento interno da Casa que resultou no cancelamento de uma sessão

Deputados petistas criticaram na madrugada desta quinta-feira (16) a condução feita pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de uma das sessões extraordinárias para votar a Medida Provisória 595/12, a MP dos Portos. Por conta de uma interpretação do regimento, Henrique Alves encerrou a reunião quando as lideranças orientavam como suas bancadas deveriam votar na redação final da proposta.

Desde às 11h de ontem, deputados estão no plenário da Câmara para votar a MP dos Portos. Após todos os destaques e emendas aglutinativas analisados, a sessão se aproximava do fim. Deputados oposicionistas, em obstrução, conseguiram levar a sessão até o fim. Quando os líderes ainda encaminhavam, chegou o horário final: 2h17 de hoje.

Henrique Alves, então, encerrou a sessão. De acordo com a Secretaria Geral da Mesa, a decisão foi amparada pela postura de outros presidentes da Câmara, como João Paulo Cunha (PT-SP) e Marco Maia (PT-RS). "Como ainda estava na fase de encaminhamento, a sessão poderia ser encerrada", explicou o secretário-geral da Mesa, Mozart Viana.

No entanto, a decisão desagradou petistas. Para eles, Henrique Alves não poderia ter encerrado a sessão, já que o encaminhamento precede a fase de votos. Eles entendem o processo como um só. Outra reclamação foi sobre o tempo concedido a oposicionistas. "Foi nítido e notório que vossa excelência foi generoso com a oposição. Deveria ter cortado as falas", disse o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Os petistas entendem que, ao não cortar o microfone dos líderes da oposição após o tempo regimental de cada discurso, Henrique Alves acabou favorecendo o processo de obstrução. Nos bastidores, reclamavam da "falta de pulso" do peemedebista. As críticas chegaram aos ouvidos dos peemedebistas, que saíram em defesa do presidente da Câmara.

"Ninguém aqui é dono do regimento. Alguns podem entender um pouco mais do que o outro, mas ninguém entende completamente", disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Além de defender a atuação de Henrique Alves na presidência, Cunha disse que a "intransigência" não permitiu um acordo com a oposição que poderia ter terminado a votação ontem ao meio-dia.

Em plenário, o presidente da Câmara se manifestou. Disse não aceitar as críticas e que não cortou o tempo dos oposicionistas por "generosidade" e "educação". "O que é preciso é a base colocar seus parlamentares, que são mais de 400 parlamentares, em plenário para votar". afirmou. Para chegar ao quorum mínimo de 257 deputados para abrir a sessão e retomar a votação da redação final, foram necessárias quase três horas.

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