Deputados pedem investigação contra Bolsonaro

Mário Coelho


Por conta das declarações dadas ao programa CQC, da TV Bandeirantes, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pode responder a processos na Câmara e na Justiça. Ex-ministro da Secretaria Especial de Igualdade Racial no governo do ex-presidente Lula, o deputado Edson Santos (PT-RJ) pediu nesta terça-feira (30) investigação contra o colega de bancada. Enquanto isso, pelo menos 19 parlamentares assinaram uma representação que será apresentada ao Ministério Público Federal e ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.


Em reunião com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o deputado fluminense argumentou que Bolsonaro deve ser investigado pela Corregedoria por conta do seu comportamento como deputado. "É  preciso uma investigação criteriosa do comportamento do deputado Bolsonaro", disse Edson Santos. Ele qualificou a declaração do pepista divulgada ontem como racista. O petista acrescentou, porém, que é preciso analisar outras frases de Bolsonaro. "A representação não é apenas com relação a esse fato, mas a outras agressões proferidas pelo deputado contra negros e homessexuais", afirmou.

Para o petista, a declaração ofendeu a população negra brasileira, em especial a mulher negra. No quadro "Povo quer saber", Bolsonaro foi questionado pela cantora Preta Gil sobre como agiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu", respondeu Bolsonaro.


À tarde, o pepista se justificou. Ele disse que cometeu um equívoco, que errou, e que não tinha entendido a pergunta. O ex-ministro da Igualdade Racial não acreditou nas explicações de Bolsonaro. "Ou o deputado está tendo um ato de covardia ou ele precisa passar por um teste para verificar seu grau de alfabetização", disparou o petista, ao ser questionado sobre as explicações do colega de bancada. Bolsonaro disse ter entendido que Preta Gil lhe perguntava sobre a hipótese de um filho ser gay. Ou seja, segundo sua própria versão, se Bolsonaro não praticou racismo, praticou homofobia.

Jean diz que vai ao Conselho de Ética contra Bolsonaro


Requerimento


"É por isso que precisamos aprovar o projeto que criminaliza a homofobia, porque foi o deputado se referir aos negros e todos viram o absurdo de suas ideias, mas os homossexuais são ofendidos todos os dias", defendeu o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Ele foi um dos deputados que assinou a representação tirada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Também subscreveram o documento, entre outros, os deputados Ivan Valente (Psol-SP), Chico Alencar (Psol-RJ), Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ).


No outro requerimento apresentado a Marco Maia, é pedida a investigação por quebra de decoro parlamentar pelas declarações de ontem. O presidente da Câmara encaminhou ao corregedor da Casa, Eduardo da Fonte (PP-PE), que terá a missão de elaborar um relatório sobre o caso. Se a conduta de Bolsonaro for considerada inapropriada, o processo é encaminhado ao Conselho de Ética. Lá, um relator será designado e uma punição pode ser recomendada. A recomendação do órgão precisa ser ratificada pelo plenário da Câmara.


"Jair Dinossauro se lascou com a sua pregação racista e homofóbica: acabamos de pedir sua cassação ao presidente Marco Maia", comentou o deputado Domingos Dutra (PT-MA), que é descendente de quilombolas. Ele também assinou a representação contra o parlamentar tirada da Comissão de Direitos Humanos. A representação pede ainda que Bolsonaro seja destituído da Comissão de Direitos Humanos e Minorias pelo seu partido, o PP.

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