Deputado mais rico é acusado de fazer fortuna com calotes

Alfredo Kaefer (PSDB-PR) é alvo de três inquéritos e uma ação penal no STF, com suspeitas de enriquecimento ilícito. Dívida do tucano seria dez vezes maior do que seu patrimônio declarado

Reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana informa que o deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), o mais rico entre os parlamentares eleitos para a Câmara, teria acumulado fortuna às custas de calotes em credores e manobras no patrimônio da própria família. Dono de um patrimônio declarado de R$ 108,5 milhões – grande parte desse montante proveniente do aglomerado que reúne frigorífico, seguradora e veículos de comunicação –, Kaefer é alvo de três inquéritos e uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), dois dos quais em estágio avançado, frutos de investigações sobre indícios de enriquecimento ilícito.

Segundo a IstoÉ, a suspeita mais recorrente nas investigações, conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) no Paraná em conjunto com a Polícia Civil, é a de que Kaefer enriqueceu graças a calotes em credores e a uma série de manobras contábeis no patrimônio familiar com o objetivo de salvar seus bens empenhados em execução judicial. Segundo o MPF, a soma das dívidas de Kaefer com credores e instituições financeiras ultrapassa R$ 1 bilhão, considerados juros e multas – dez vezes o patrimônio declarado pelo deputado tucano.

Como este site mostrou com exclusividade em julho de 2012, Kaefer compõe o grupo de quase duas centenas de parlamentares com complicações no STF. Na ocasião, há dois anos, o deputado estava às voltas apenas com o inquérito que apurava abuso de poder econômico (crimes eleitorais), e alegou que suas contas haviam sido aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

“O mais delicado dos processos é o inquérito 3678/2013, relatado pelo ministro Marco Aurélio Mello. Composto de diligências policiais e depoimentos de testemunhas, o caso caminha rapidamente. No dia 13 de agosto, o deputado foi chamado a depor sobre o pedido de recuperação judicial das empresas de um dos seus grupos, o Diplomata, mas não compareceu. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há indícios de que a falência foi fictícia e serviu apenas para não pagar a credores do grupo, pois a mesma empresa fez doações para a campanha política do deputado e ainda transferiu mais de R$ 27 milhões para sua conta pessoal. Dias antes do pedido de recuperação, Kaefer se retirou da sociedade, deixando sua mulher na administração”, diz trecho da reportagem da IstoÉ.

“Para o MP, foi uma tentativa de evitar que seu patrimônio fosse considerado parte do processo. ‘Tudo leva a crer que a retirada de Alfredo Stoffels Kaefer das sociedades foi um ata meramente formal, cujo fim era ludibriar credores e permitir operações e manobras’, concluiu Janot”, acrescenta a revista, acrescentando que Kaefer virou réu no STF, em setembro, por fraude do sistema financeiro. A acusação aponta crimes de gestão fraudulenta, empréstimo dissimulado e fornecimento de informação falsa ao Banco Central. Ele nega as acusações.

Leia a íntegra da reportagem intitulada Riqueza suspeita

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