“Pobre tem que se dedicar e estudar na universidade pública”, diz Marquezelli

Deputado paulista que afirmou que quem não tem dinheiro não deve fazer faculdade diz que sua fala foi editada. "O governo não pode bancar tudo quanto é pobre estudando na [Universidade] Mackenzie, em faculdades caríssimas", declarou ao Congresso em Foco

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) atribuiu a uma edição de vídeo as declarações que fez – e que foram manipuladas  por adversários políticos, diz – a um grupo de professores que foram na última segunda-feira (10) à Câmara protestar contra a proposta de emenda à Constituição (PEC 241/2016) que limita pelos próximos 20 anos os gastos públicos (PEC 241/16), já aprovada em primeiro turno. Na ocasião, dizendo-se favorável à proposição, Marquezelli afirmou, entre outras coisas, que o brasileiro que não tiver dinheiro para bancar os estudos não deve procurar faculdades privadas.

 

 

Para o deputado, apenas o final da conversa foi publicada, de maneira que seu posicionamento foi a público de maneira enviesada. Segundo Marquezelli, o que ele quis dizer é que quem não tiver dinheiro para bancar uma instituição privada que “estude, se dedique” e recorra às instituições públicas de ensino.

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Vídeo: “Quem não tem dinheiro não faz faculdade, diz deputado a manifestante”

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“Eles cortaram. Eu disse que pobre não tem que estudar em universidade paga, e sim estudar em universidade pública. Tem que se dedicar e estudar na pública. O cara que não tem dinheiro não pode estudar em uma que é paga, e sim numa pública. E o governo não pode bancar tudo quanto é pobre estudando na [Universidade] Mackenzie, em faculdades caríssimas, não só no Brasil como fora do Brasil”, disse Marquezelli em entrevista ao Congresso em Foco nesta quarta-feira (12), dando como exemplo de instituição pública a Universidade de Brasília.

“O cara que estude e se dedique, e vai estudar em uma pública. Isso foi o que eu falei e eles cortaram, editaram só o que interessou para eles”, acrescentou o petebista, dizendo ter recebido apoio de quem o conhece. Mesmo os que o criticaram, garantiu, depois tiveram acesso aos esclarecimentos publicados em seu site (leia a íntegra da nota).

“Eles cortaram muito. Só passaram o que interessava pra eles. Eles estavam contra a PEC 241, e eu falei que iria votar favoravelmente, e que entendia que o país está passando pela necessidade de se fazer um controle melhor [dos gastos]. A gestão de governo no Brasil estava muito ruim. Dá pra melhorar isso aí. “E aí ele [o interlocutor] vira e me diz que a PEC não pode cortar recursos para educação e saúde. Eu falei: ‘Não vai cortar. O que vai fazer é melhorar a gestão’”, acrescentou o deputado. “Tem que haver uma gestão melhor não só da educação e da saúde, mas de todos os órgãos do governo.”

Para Marquezelli, a função dos subsídios estatais para o ensino, concebidos para atender aos mais pobres, está desvirtuada. “A USP, em São Paulo, que é uma universidade pública, no seu estacionamento mais de 50% é de carros importados. Muitos daqueles filhinhos de papai vão ao Ministério [da Educação] e o Ministério ainda dá Fies pra eles. Isso é um absurdo!”, protestou Marquezelli, referindo-se ao financiamento estudantil que ajuda alunos a custear seus cursos universitários.

“Há 103 mil alunos no exterior – Venezuela, Cuba, Estados Unidos, Austrália – que são pessoas que poderiam, perfeitamente, pagar os seus estudos. O Brasil não pode se dar ao luxo de financiar quem é rico. Quem é rico tem de se autofinanciar!”, reclamou Marquezelli, ouvidor-geral da Câmara entre 2013 e 2015, nomeado pelo então presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Questionado sobre abordagens de parlamentares, por parte de manifestantes, para registros em vídeo, o deputado atribuiu tais ações ao Partido dos Trabalhadores. “O PT é que está bombando isso aí. Eles estão fazendo isso só contra quem é favorável ao governo atual”, acrescentou.

Laranja

Em seu sexto mandato na Câmara, Marquezelli é considerado um dos líderes da bancada ruralista. Um dos maiores produtores de laranja do país, ele declarou na última eleição um patrimônio de R$ 12,2 milhões. Um projeto de autoria do deputado, já arquivado, previa a obrigatoriedade da adoção do suco na merenda escolar. Pela proposta, só receberiam verbas da União para programas alimentares os estados e municípios que incluíssem o suco na merenda.

Em 2011, Marquezelli foi o responsável pela elaboração do projeto que reajustou em mais de 60% o seu próprio salário e o dos demais parlamentares. Dessa forma, disse o deputado ao Congresso em Foco à época, os deputados não precisariam mais “fazer bico” para ter uma renda compatível. “Eu acho que ele é condizente com o mandato, eu acho que é justo. Quando o salário era menor, alguns deputados faziam bico. Agora estão se dedicando mais ao mandato.”

Na ocasião, o salário dos congressistas passou para R$ 26,7 mil. Desde o início de 2015, um parlamentar ganha R$ 33,7 mil por mês, fora os demais benefícios atrelados ao mandato, como auxílio-moradia, passagens aéreas, plano de saúde e despesas pessoais.

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