Deputada envolvida no churrasco diz combater compra de votos

Érika Kokay participou de dois eventos com produtores rurais. “Nunca comprei votos ou fiz campanha ofertando comida e bebida para possíveis eleitores”, diz ela, envolvida no inquérito que apura se políticos de Brasília se beneficiaram de festa na zona rural

Envolvida no inquérito da Polícia Federal para apurar compra de votos em um churrasco durante as eleições de 2010, a deputada Érika Kokay (PT-DF) nega qualquer participação em crimes. “Nunca comprei votos ou fiz campanha ofertando comida e bebida para possíveis eleitores”, disse ela, em entrevista ao Congresso em Foco na tarde de sábado (25). “Abomino a compra de votos. Pauto minha pelo combate a esse tipo de artifício, herança da lógica colonialista.” O inquérito envolve o governador de Brasília, Agnelo Queiroz (PT), e mais dois pré-candidatos ao Buriti, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e o deputado Luiz Pitiman (PSDB-DF)

Como revelou o Congresso em Foco, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) inquérito que contém uma denúncia anônima e um CD com 64 fotos de uma festa com políticos de Brasília, acusando-os de comprar votos. Os papéis chegaram ao Ministério Público em setembro de 2010, mas só agora a investigação vai prosseguir, nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski. “Teoricamente, se você está oferecendo alimentação e bebida gratuitamente, você está oferecendo uma vantagem que a lei proíbe. Isso configura um crime eleitoral”, disse o procurador regional eleitoral Elton Ghersel, que conduziu o caso até ele ser remetido ao Supremo.

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Porém, Érika disse que não organizou o evento na zona rural. Rollemberg e Cristovam Buarque (PDT-DF), outro citado no inquérito, também não. Pitiman afirma que sequer estava presente. De acordo com a denúncia anônima, o churrasco aconteceu na chácara do empresário Sérgio Henrique de Melo, da Formatto Engenharia. Rollemberg diz que tudo aconteceu em uma comunidade rural próxima ao Gama, na região da Ponte Alta, mas afirma que era um evento aberto ao público.

Na entrevista ao site, Érika Kokay disse que, nesta região, participou de apenas dois eventos com produtores rurais, mas não sabe precisar se houve carne assada neles. No primeiro, em uma chácara, os pequenos agricultores fizeram a ela e a outros políticos uma pauta de “reivindicações justas, legítimas e republicanas”. No segundo, em um local público, havia uma festividade promovida pelos produtores. Nesse encontro, érikase recorda da presença de Rollemberg. Em nenhum dos ois eventos, a deputada se recorda se estava presente o empresário Sérgio Melo.

Punição

Érika garante que não houve compra de votos de sua parte, mas espera que, se isso aconteceu de outra maneira, que tudo seja devidamente apurado e os responsáveis, punidos.

Assim como Cristovam Buarque (PDT-DF), a deputado disse que participou de muitos churrascos, almoços e cafés da manhã. “Mas nenhum deles foi promovido pela minha campanha ou com o objetivo de comprar votos ou obter favorecimentos”, disse Érika ao Congresso em Foco.

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O advogado de Agnelo Queiroz, Luís Carlos Alcoforado, disse não haver nenhum problema no churrasco, até porque comer carne assada faz parte da cultura brasileira. “Absolutamente normal que, em momentos eleitorais ou não, as pessoas se confraternizem e dividam espaços sociais sem que isso caracterize qualquer tipo de iniciação ao abuso ou de infração eleitoral. É normal na vida cotidiana do brasileiro. O churrasco faz parte da nossa cultura, do nosso dia a dia.”

O deputado Roberto Policarpo (PT-DF), mencionado no inquérito, não prestou esclarecimentos à reportagem. Procurado por meio de assessores, o deputado distrital Cabo Patrício (PT) também não. A reportagem não localizou o empresário Sérgio Melo.

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