Após criticar indolência de índios, vice de Bolsonaro se declara indígena

O vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), se autodeclarou indígena ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na semana passada, Mourão havia dito que o país herdou “indolência” do índio e “malandragem” do negro.

A declaração, que causou polêmica e revolta de algumas entidades, foi feita durante evento na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

“Ainda existe o famoso complexo de vira-lata aqui no nosso país, infelizmente. Nós temos que superar isso. E está aí essa crise política, econômica e psicossocial. Temos uma herança cultural, uma herança em que tem muita gente que gosta do privilégio. Mas existe uma tendência do camarada querer aquele privilégio para ele. Não pode ser assim. Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa, nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”, declarou o militar no evento.

Ao fazer o registro da candidatura junto à Justiça Eleitoral, Mourão declarou cor e raça como “indígena” e possuir R$ 414 mil em bens. O cabeça da chapa, Bolsonaro, declarou patrimônio de R$ 2 milhões.

Linha dura

Essa não foi a primeira polêmica em que o general Mourão se envolveu. Assim como seu companheiro de chapa, ele homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo, primeiro militar a ser reconhecido como torturador pela Justiça brasileira.

Em outras oportunidades, suas declarações provocaram revoltas entre civis. Em setembro do ano passado, sugeriu uma intervenção militar como solução para crise política.

Fez críticas ao governo de Michel temer (MDB), dizendo que ele se baseava em um “balcão de negócios” e aos ex-presidentes Lula e Dilma.

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