Depoimento de Perillo durou mais mais de oito horas

Venda da casa em condomínio de luxo em Goiânia foi o principal tema das perguntas. Relação dele com o bicheiro Carlinhos Cachoeira também permeou sessão da CPMI

As oito horas e meia de depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira tiveram de tudo um pouco. Claques, aplausos, bate-boca, troca de acusações e, no meio de tudo, as explicações do governador sobre as denúncias e ele imputadas.

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Convocado na condição de testemunha, o tucano iniciou sua participação na CPI com uma explanação que durou mais de uma hora. Ele negou ter qualquer relação de proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sob o tucano pesa a suspeita de ter empregado indicados pelo contraventor no governo de Goiás e de não ter combatido o jogo ilegal no estado.

Também pesa sob Perillo a venda de uma casa no condomínio Alphaville, em Goiânia, por R$ 1,4 milhão. Ao final da transação, a casa foi parar nas mãos de Cachoeira, e  existe a suspeita de que o imóvel tenha custado o dobro deste valor. Aos integrantes da CPI, o governador de Goiás disse não existirem contradições sobre  avenda da casa. A transação, de acordo com o tucano, foi paga com três cheques nominais. A versão dele, porém, vai de encontro ao que disse o empresário Walter Paulo Santiago, um dos donos da Faculdade Padrão, que afirmou ter pago em dinheiro.

Durante a sessão, o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que o governador sabia das atividades ilegais do bicheiro. Ele usou como base uma denúncia anônima que relatava interferências de Cachoeira no Departamento de Trânsito (Detran) do estado, comandado na época por Edivaldo Cardoso, amigo do contraventor. Isso ocorreu dez dias antes de Perillo jantar com o contraventor na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Depois da primeira leva de perguntas feitas pelo relator, a sessão foi aberta aos outros parlamentares. No entanto, não satisfeito com as respostas do governador, Odair Cunha voltou a interrogá-lo. Foi neste momento que a sessão esquentou. O petista chegou a chamar o tucano de “investigado”, o que provocou imediata reação dos parlamentares do PSDB presentes à sessão. Ele pediu que Perillo liberasse seus sigilos bancário e fiscal à comissão.

Para integrantes do PSDB na comissão, o governador saiu-se bem, conseguindo explicar e tirar as dúvidas sobre a venda da casa e da sua relação com Cachoeira. "O governador explicou tudo o que foi questionado", resumiu o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE). Já os petistas acreditam que o depoimento foi bom para abrir a investigação. "Perillo se complicou em alguns momentos e deu uma luz sobre os personagens", comentou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Durante toda a sessão, Perillo esteve acompanhado de uma claque, que ocupou duas salas destinadas pela segurança do Senado a interessados em acompanhar a sessão. No fim, os apoiadores do tucano gritavam: "Brasil urgente, Marconi presidente!"

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