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Denunciado por corrupção, Aécio volta ao Senado e se diz “vítima de ardilosa armação”

 

Depois de ter o mandato salvo em plenário, em votação realizada ontem (terça, 17), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) retornou ao exercício do mandato e, em rápido discurso feito em sessão plenária (leia íntegra abaixo), se disse “vítima de ardilosa armação” por parte de delatores como Joesley Batista, que o gravou pedindo R$ 2 milhões. Preso por ter violado os termos da delação premiada, o dono da JBS levou à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Aécio por corrupção passiva e obstrução de Justiça.

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Diferentemente do que costuma fazer para se defender de acusações em plenário, Aécio não subiu à tribuna para discursar. Além disso, não fez ataques a adversários políticos, ao contrário de outras intervenções de defesa. Também não recebeu apartes de apoio ou aplausos dos pares – nem de ao menos um dos 44 senadores que votaram pelo retorno do tucano ao mandato.

“Fui vítima de uma ardilosa, uma criminosa armação perpetrada por empresários inescrupulosos que se [sic] enriqueceram às custas do dinheiro público e não tiveram nenhum constrangimento em acusar pessoas de bem, na busca dos benefícios de um inaceitável delação, por ora suspensa em razão de parte da verdade estar vindo à tona”, discursou o senador, discursou o senador mineiro.

“O que é mais grave: corroboraram, contribuíram para essa trama ardilosa homens de Estado, notadamente alguns que tinham assento, há até muito pouco tempo, na Procuradoria-Geral da República. Novos depoimentos, delações, gravações que haviam sido omitidas vão dando um contorno claro às razões que levaram àquela construção, repito, criminosa da qual fui vítima”, continuou Aécio, em referência à equipe do ex-procurador Rodrigo Janot.

 

Arthur Hugen/Cortesia

Tucano recebeu cumprimentos de poucos aliados em plenário

 

Depois das queixas, o tucano adotou um tom conciliador e disse que volta ao mandato com “serenidade”. “Não retorno a esta Casa com rancor ou com ódio. Venho acompanhado da serenidade dos homens de bem, daqueles que conhecem a sua própria história”, concluiu.

O tucano estava afastado de seu mandato desde 26 de setembro, por imposição da Primeira Turma do STF, formada por cinco ministros. Desde então, além da suspensão, Aécio estava sob efeito de medidas cautelares como recolhimento domiciliar noturno e proibição de viajar ao exterior. Denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução de Justiça, o senadoré alvo de diversos inquéritos no STF e um dos principais investigados na Operação Lava Jato. Graças às denúncias de corrupção, o senador foi afastado também da presidência nacional do PSDB.

O senador nega irregularidades e diz que o dinheiro pedido a Joesley serviria para bancar sua defesa na Lava Jato. Mesmo afastado do mandato durante a primeira determinação de suspensão, Aécio recebeu quase R$ 20 mil em junho, como este site mostrou na ocasião. Neste segundo afastamento, o senador continuava a receber a remuneração normalmente, mesmo impedido até de entrar no Congresso.

Veja a íntegra do discurso:

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, eu reassumo hoje, Sr. Presidente, meu mandato nesta Casa. Mandato que me foi conferido pela vontade de mais de 7 milhões de mineiros. Mandato que continuarei a honrar como sempre honrei todos os que recebi ao longo de 31 anos consecutivos de mandatos eletivos e quase quarenta anos de vida pública.

Faço isso, Sr. Presidente, em razão de decisão soberana tomada ontem por esta Casa pela maioria absoluta dos seus membros, em respeito à Constituição, à independência e à harmonia entre os Poderes. Saúdo, portanto, a cada Sr. Senador e Senadora que tiveram a compreensão da importância daquele voto.

Sr. Presidente, será no exercício do meu mandato que irei me defender das acusações absurdas, falsas de que tenho sido alvo. Sou, Sr. Presidente, devo dizer neste instante, vítima de uma ardilosa armação, uma criminosa armação, perpetrada por empresários inescrupulosos que se enriqueceram às custas do serviço público e não tiveram qualquer constrangimento em acusar pessoas de bem na busca dos benefícios de uma inaceitável delação, ora suspensa, em razão de parte da verdade estar vindo à tona, Sr. Presidente.

Mas o que é mais grave, corroboraram, contribuíram para essa trama ardilosa homens de Estado, notadamente alguns que tinham assento, até muito pouco tempo, na Procuradoria-Geral da República. Novos depoimentos, delações, gravações que haviam sido omitidas vão dando um contorno claro às razões que levaram àquela construção, repito, criminosa da qual fui vítima.

Portanto, Sr. Presidente, no exercício deste mandato, irei trabalhar a cada dia e a cada instante para provar a minha inocência. Fui sim alvo, Sr. Presidente, dos mais vis e graves ataques nos últimos dias, mas não retorno a esta Casa com rancor ou com ódio. Venho acompanhado da serenidade dos homens de bem, daqueles que conhecem a sua própria história. E a minha história, Sr. Presidente, é honrada, é digna, é de dedicação ao longo de quase quarenta anos aos mineiros e ao Brasil.

Estarei, portanto, e encerro, Sr. Presidente, pronto, como sempre estive, para o debate franco sobre os mais diversos temas de interesse do País. E, da minha parte, sempre de forma respeitosa. Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

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