Demóstenes critica falta de perícia em áudios da PF

Senador goiano apresentou laudo por perito contratado pela defesa apontando "indícios de edições" nas gravações da Operação Monte Carlo. Discurso foi acompanhado por outros dois senadores

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) afirmou nesta sexta-feira (6) que as escutas telefônicas da Operação Monte Carlo são ilegais e estão editadas, com trechos fora de contexto. Em discurso realizado na tribuna do Senado, ele voltou a criticar a falta de perícia nos áudios autorizados pela Justiça. Também afirmou que, desde que assumiu o primeiro mandato, em 2003, esteve em diversas reuniões em agências reguladoras e ministérios do governo federal, sempre agindo de "modo republicano".

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Demóstenes fez dois discursos hoje. Desde segunda-feira (2), ele tem usado a tribuna do Senado para apresentar seus argumentos na tentativa de manter o mandato de senador. Na próxima quarta-feira (11), o plenário do Senado analisa, em votação secreta, o pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar aprovado pelo Conselho de Ética e ratificado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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Nas gravações, Demóstenes é flagrado conversando com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outros suspeitos de envolvimento com o grupo do contraventor. O senador goiano apresentou um relatório do perito em áudios forenses contratado pela defesa, Joel Ribeiro Fernandes. De acordo com o parlamentar, o laudo do profissional indica a existência de "robustos indícios de edições" nos áudios da PF.

O senador afirmou que o perito não teve acesso aos áudios originais. tendo analisado poucos minutos das 250 mil horas de gravações que a PF fez. "Onde ele pesquisou encontrou indícios graves de violações. Repito, foram apenas alguns trechos e todos eles contêm indícios de fraudes", disse. Demóstenes leu o relatório do perito e disse que Joel concluiu que "há provas montadas, que geram transcrições não fidedignas".

Perícia

O parlamentar pediu novamente que sejam realizadas perícias nos áudios gravados. Segundo ele, somente a perícia técnica na totalidade dos áudios e a comparação com as transcrições poderá "eliminar as desconfianças". O senador acusou ainda a PF de não ter feito a degravação completa dos áudios porque era "conveniente". "No inquérito, a própria Polícia Federal admite que não fez as degravações completas. E não fez porque não fazer era conveniente para me acusar. Daí a desculpa de não ter degravado tudo devido à deficiência de quadros, mas para me grampear ilegalmente disponibilizou quatro delegados e dez agentes se revezando 24 horas por dia desde 2008. Sem a perícia, é impossível se falar em justiça", disse.

O senador explicou porque tem insistido na ilegalidade das gravações como principal argumento para convencer seus pares de que não cometeu qualquer irregularidade durante o exercício do seu mandato. "A minha insistência em dizer que as provas contra mim são todas ilegais e fraudadas é porque posso acabar vítima de uma injustiça impossível de ser reparada. Se o meu mandato for cassado, depois se comprovarão os meus alertas e aí, não haverá mais jeito porque estarei com os direitos políticos irremediavelmente impedidos por quase duas décadas".

Demóstenes afirmou ainda que, mesmo que as gravações tivessem sido feitas de forma legal, elas não apontam para a quebra de decoro parlamentar. "A minha insistência em reafirmar que sou inocente é porque além da minha garantia pessoal, existem fatos concretos. Um fato é que, mesmo que as gravações fossem legais, elas não apontam para a quebra de decoro. Outro fato, não houve qualquer proveito financeiro meu relacionado ao mandato com qualquer ganho de Carlinhos Cachoeira", disse.

Baixo quorum

Assim como nos outros dias desta semana, Demóstenes falou para um plenário quase vazio. Só estavam presentes ele e a senadora Ana Amélia (PP-RS), que preside a sessão. Depois, chegou o senador Aníbal Diniz (PT-AC). Se o petista não chegasse, e Ana Amélia decidisse discursar, o senador goiano teria que ocupar a cadeira da presidência do Senado.

Demóstenes disse também que seu patrimônio é fruto somente do seu trabalho e foi comprado com os salários de senador e promotor de Justiça. "Sou limpo, meu patrimônio é limpo e quem quis me sujar não reuniu elementos nem colocando quatro delegados e dez agentes para me bisbilhotar, durante quatro anos, 24 horas por dia. Mas o vazamento criminoso de escutas ilegais seletivas pode levar alguém a se perguntar sobre a minha situação financeira. Afinal, um cidadão envolvido numa teia tão engenhosa deve estar muito rico. Não é o que ocorre, exatamente porque vivo de salário", disse durante o discurso.

Novamente, o senador goiano criticou a velocidade com que seu processo de cassação tramitou na Casa. "O Conselho de Ética manteve os prazos estreitos no rito sumário exigido pela mídia. Ou seja, o conselho se recusou a resguardar-se de cometer uma injustiça e sufocou com seus prazos uma eventual saída", disse.

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