Delegado se irrita com divulgação de lista de 82 citados

Matheus Mela ficou indignado quando soube que os integrantes da CPI divulgaram os nomes, sem explicar o contexto, das pessoas que são mencionadas nas conversas da quadrilha investigada pela Polícia Federal

A divulgação da lista com a relação de 82 pessoas apenas citadas ou realmente envolvidas com os crimes investigados na Operação Monte Carlo irritou o delegado que presidiu a operação da Polícia Federal. “É um absurdo”, disse Matheus Mela Rodrigues ao Congresso em Foco na noite desta quinta-feira (10) ao deixar a reunião da CPI do Cachoeira, que apura as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos com políticos, como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e empresas, como a construtora Delta. Uma das pessoas citadas – mas não investigadas – é simplesmente a presidenta Dilma Rousseff.

Reservado, o delegado Matheus Rodrigues, do Núcleo de Inteligência da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, toma todos os cuidados para não se expor. Não fala com jornalistas, é cauteloso nas palavras, como as ditas na CPI hoje, e sabe das pressões que pode sofrer da direção da PF. Rodrigues, os procuradores do Ministério Público e o juiz doa 11ª Vara ainda batalharam para não ver anulado seu trabalho de combate à exploração de caça níqueis, quando os grampos captaram políticos e autoridades com foro privilegiado.

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Dilma

A conversas onde Dilma é citada, por exemplo, são banais, e não indicam qualquer ligação dela com o esquema investigado. Numa delas, Cachoeira diz a Demóstenes, um senador de oposição, que seria bom ele se filiar ao PMDB para ter acesso à Presidência da República. O senador afirma que a presidenta deseja, sim, falar com ele: “Não é pra enrolar”.

CARLINHOS: é PMDB mesmo. E fica bom demais se você for pro PMDB ... ela quer falar com você? A DILMA? A DILMA quer falar com você, não?

DEMÓSTENES: por debaixo, mas se eu decidir, ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar.

CARLINHOS: Ah, então vai, uai, fala que vai e ela te chama lá (incompreensível) tempo aí de pensar. Mas acho que é a saída sua, natural. não tem outra não.

DEMÓSTENES: tá certo. Deixa eu te dizer urna outra coisa.

Um outro exemplo de conversa que menciona Dilma é quando Demóstenes comenta com Cachoeira, que tinha interesse em negócios da Delta com o Ministério dos Transportes, como a presidente tratava questões na pasta depois que a PF passou a investigar a gestão do então ministro Alfredo Nascimento (PR-AM).

Também falam sobre o conhecimento de Dilma sobre fraudes no Ministério do Turismo, investigado pela Operação Voucher, da PF. “Isso ai tá passando do limite, né”, diz Demóstenes ao bicheiro. “A Dilma veio avisar aqui que não tinha nada com isso. Eu falei: “ah .. não tem como’. Como é que faz uma operação dessa, caindo o 'número 2' do Ministério, mais 37 pessoas  e a presidente não sabe? se não sabe, tem que demitir ministro, cúpula da Polícia Federal, não é verdade?”

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