Delator muda de ideia e volta a acusar José Dirceu

Fernando Moura, ameaçado pelos procuradores da Lava Jato de perder os benefícios da delação premiada, disse que mentiu por medo, após receber ameaça de estranho na rua

O lobista Fernando Moura mudou seu depoimento pela segunda vez e voltou a incriminar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso pela Lava Jato. A nova mudança aconteceu um dia depois que os procuradores ameaçaram anular seu acordo de delação premiada.

Moura afirma outra vez que o petista recebia propina de empreiteiras e que sabia que os valores vinham de desvios na Petrobras.

"Eu tenho certeza que ele tinha [conhecimento]", afirmou, apesar de acrescentar que nunca tratou diretamente do assunto com o ex-ministro.

Duque

No depoimento prestado na semana passada ao juiz Sérgio Moro, Moura negou que Dirceu tenha sido responsável pela indicação de Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobras e também que o ex-ministro tenha sugerido que ele saísse do Brasil durante o mensalão.

Amigo de Dirceu há quase 30 anos, o lobista ainda insinuou que sua delação poderia ter sido deturpada por procuradores ou por seus advogados. Nesta quinta-feira (28), porém, Fernando Moura afirmou que mentiu no depoimento anterior e que sua delação é "estritamente a verdade".

"Sei que errei com os senhores", reconheceu o lobista. ""O que eu preciso é de uma segunda chance. Se o juiz Moro puder me ouvir, eu tenho coisas a falar e coisas a acrescentar."

Moura diz que mentiu por medo. Segundo sua declaração, ele foi abordado na rua, em Vinhedo (SP), onde vive, por um estranho que lhe perguntou: "Como é que estão seus netos no Sul?".

"Aí eu pensei: 'Quem vai perguntar dos meus netos vai perguntar do pai primeiro'", relatou. "Eu tenho dois netos que moram em Venâncio Aires (RS). Fiquei totalmente transtornado."

Assim que Fernando Moura mudou pela primeira vez as informações contidas em sua delação e passou a isentar Dirceu, seus advogados renunciaram à sua defesa.

Os criminalistas Pedro Iokoi, Adriano Scalzareto e toda sua equipe protocolaram a petição de saída nesta quinta (28) junto à Justiça Federal do Paraná. Eles são os advogados que negociaram a delação premiada do lobista, aceita em setembro.

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