Delator do mensalão é operado para retirada de tumor

Exames preliminares indicam que tumor não era maligno. Cirurgia durou oito horas

O ex-deputado federal Roberto Jefferson, delator do esquema de compra de votos no Congresso, durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula, que ficou conhecido como mensalão, realizou na manhã deste sábado uma intervenção cirúrgica para a retirada de um tumor no pâncreas. A cirurgia, feita no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro, durou cerca de oito horas.

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Segundo boletim médico divulgado instantes após o procedimento, que teve início às 7h, Roberto Jefferson passa bem. A operação ocorreu dentro dos parâmetros de normalidade, com o registro de apenas uma dificuldade extra, satisfatoriamente contornada. Os médicos explicaram que a cirurgia teve um nível maior de complexidade, devido a uma intervenção que Jefferson havia feito anos antes – uma cirurgia bariátrica, para reduzir o estômago e diminuir a massa corporal. Antes disso, o ex-deputado pesava mais de cem quilos.

Ainda segundo o boletim médico, a cirurgia realizada é chamada de gastroduodenopancreatectomia cefálica, e consiste na extirpação de parte de pâncreas, duodeno e parte do canal biliar. Exames preliminares indicam que o tumor extirpado não era maligno, mas a equipe médica adverte que é necessário avaliar conclusivamente o material extraído para afastar a hipótese. O câncer detectado pelo patologista responsável é um tumor papilar mucinoso ductal, com displasia de baixo grau – ou seja, um diagnóstico sem indicação malignidade cancerígena.

Governo abalado

Advogado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson abalou os alicerces do então governo Lula ao delatar, em 2005, um esquema de pagamento de propina a parlamentares da base para que votassem a favor dos interesses do Planalto. A denúncia levou à abertura da CPI dos Correios, quando personagens envolvidos no esquema apelidado de mensalão passaram a figurar constantemente no noticiário político – como os publicitários Marcos Valério e Duda Mendonça, ambos com negócios com o PT, além de deputados de diversos partidos, oito dos quais do PT.

Em um de seus diversos depoimentos sobre o caso, Roberto Jefferson disse que informou ao presidente Lula sobre o que se passava no Congresso. Lula chorou, disse o ex-deputado, mas não tomou qualquer providência para pôr fim ao esquema. Diante da situação, a oposição endureceu o discurso, tentando colocar Lula no epicentro das denúncias. Chegou-se até a cogitar o impeachment do ex-presidente petista, mas a ideia não prosperou.

Ante os desdobramentos do caso, o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi apontado pela Procuradoria Geral da República como chefe da “sofisticada quadrilha” instalada no Congresso, e teve seu mandato cassado pela Câmara. Assim como Roberto Jefferson, que foi listado como um dos 38 réus do processo com data para ser julgado a partir de 2 de agosto, próxima quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal. A previsão é de que a sentença para cada um dos investigados seja proferida em cerca de um mês e meio.

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