Delator diz que Cunha recebeu propina de 12 empresas

Ex-vice-presidente da Caixa afirma que deputado afastado ficava com parte da propina paga por empresas em troca da liberação de fundo de investimento do FGTS

Um dos delatores da Operação Lava Jato, o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto acusou o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ter recebido propina de 12 empresas em troca da liberação de verbas do Fundo de Investimento (FI) do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com o jornal O Globo, a declaração foi dada em depoimento prestado por Cleto após fechar o acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Falta a homologação do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a reportagem, o ex-vice-presidente da Caixa disse que parte do dinheiro obtido de empresas interessadas na liberação de recursos do fundo ficava com ele, e outra, mais expressiva, ia para Cunha. Cleto admitiu que tratava com os empresários sobre os aspectos técnicos dos projetos a serem financiados pelo Fundo de Investimento, ao passo que as negociações sobre a propina ficavam a cargo de Cunha.

Conforme o Globo, o ex-vice-presidente da Caixa apontou o doleiro Lúcio Bolonha Funaro como um dos operadores de Cunha na movimentação de parte do dinheiro recebido das empresas. Ele conhece Funaro, com quem trabalhou em São Paulo antes de ser levado para a Caixa, por indicação de Eduardo Cunha.

Cleto confessou ter direcionado os recursos para empresas indicadas pelo deputado. Só a Carioca Engenharia admitiu ter pagado R$ 52 milhões de propina para liberação de recursos para empreendimentos imobiliários ligados ao Porto Maravilha, no Rio. O ex-vice da Caixa vai devolver dinheiro aos cofres públicos e cumprirá prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, além de prestar serviços comunitários, caso o acordo seja homologado por Teori Zavascki.

Cunha diz que não se pronunciará sobre o assunto por não ter conhecimento do teor do depoimento de Cleto, mas afirma que não participou de qualquer irregularidade. De acordo com o Globo, em outro depoimento, o ex-vice da Caixa declarou que o peemedebista recebeu propina também em conta bancária no Uruguai.

Leia a reportagem do Globo

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