Delator de esquema no Esporte falta à audiência na Câmara

Policial militar João Dias Ferreira, em carta, afirmou que ainda está à disposição dos deputados, mas não justificou a ausência

O policial militar João Dias Ferreira, delator do suposto esquema de desvio de dinheiro, decidiu não comparecer à audiência pública da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara. Em carta endereçada ao presidente do colegiado, afirmou que "declinava do convite", mas que continuava "à disposição" dos deputados. Segundo o militar, os "recentes acontecimentos" acabavam com a necessidade da sua presença. Os "recentes acontecimentos" a que João Dias se refere é a iminente queda do ministro do Esporte, Orlando Silva, que deve acontece a qualquer momento.

Apesar da ausência do militar, a audiência continua neste momento. Parlamentares da oposição criticam a permanência, até o momento, de Orlando Silva como ministro do Esporte. "O Esporte precisa ser investigado. O ministro perdeu as condições de ficar no cargo", afirmou o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR). Ele ressalvou, no entanto, que João Dias é um "bandido" que deveria "estar preso".

“Esse cidadão faz denúncias vazias, sem provas, e se comprometeu a vir a Câmara dar esclarecimentos. A omissão dele hoje prova que as denúncias são vazias. Isso é um verdadeiro circo”, disse a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

Defensor de Orlando Silva, o advogado Antônio Carlos Almeida de Castro, o Kakay, afirmou que as denúncias feitas pelo policial militar são irresponsáveis. "Em um primeiro momento, ele disse que o ministro estava envolvido. Depois, em depoimento à Polícia Federal, disse não ter nenhuma prova da participação direta de Silva no suposto esquema", disse.

Ontem, líderes da oposição defenderam a saída de Silva da pasta e uma acareação entre ele e o policial militar. De acordo com a revista Veja, o ministro do Esporte é beneficiário de um esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes. O policial militar autor da denúncia é presidente da Federação Brasiliense de Kung Fu e de uma organização não-governamental (ONG) participante do programa. Ele afirmou que Silva recebeu dinheiro desviado do Segundo Tempo na garagem do ministério.

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