Delação é motivo para impeachment, dizem oposicionistas

Líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado cobra da Câmara a abertura de processo de impeachment contra Dilma após empreiteiro dizer que doou dinheiro desviado da Petrobras para a campanha da presidente. Presidente do PPS diz que é preciso discutir o impeachment

Líderes da oposição no Congresso Nacional defenderam, na noite desta sexta-feira (26), a apresentação de um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) com base no depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Em sua delação premiada, ele disse que doou R$ 7,5 milhões desviados da Petrobras para a campanha de Dilma no ano passado. Outros 17 políticos, dois deles da oposição, também foram apontados pelo delator. O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), adiantou que pretende propor à Câmara, na segunda-feira, a abertura de processo contra Dilma.

“Crime eleitoral desse porte tem que ter como resposta imediata o afastamento da função. Dilma não tem condições de comandar o país. Isso é motivo mais do que suficiente para Dilma perder o mandato e convocarmos novas eleições. Que a Câmara abra o processo de impeachment”, defendeu o senador do DEM.

"Temos uma presidente da República completamente ilegítima. Junta a denúncia com a ingovernabilidade do país e temos um quadro desastroso. Talvez o melhor caminho seja mesmo discutir o impeachment", disse ao Globo o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP).

O líder interino do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), disse que o depoimento de Pessoa complica “ainda mais” a situação da presidente. “Hoje, mais dois ministros foram citados na delação do empresário da UTC: Mercadante e Edinho Silva, além de dois tesoureiros petistas. E à medida que as investigações avançam, tomam corpo as suspeitas de que as campanhas que elegeram e reelegeram a presidente Dilma foram irrigadas com recursos ilícitos”, afirmou.

Segundo reportagem da revista Veja, em sua delação premiada, Ricardo Pessoa disse que dinheiro desviado da Petrobras também abasteceu a campanha presidencial de Lula em 2006. Ao todo, foram citados por ele políticos de seis partidos (PT, PMDB, PTB, PP, PSB e PSDB).

A presidente Dilma convocou uma reunião de emergência com seu núcleo político para avaliar o cenário e discutir estratégia de defesa. Citados pelo delator, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), que foi tesoureiro da campanha presidencial de Dilma no ano passado, participam do encontro.

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