Déficit nas contas do DF chega a R$ 3,8 bi, diz governador eleito

Rodrigo Rollemberg afirma que “apagão” administrativo do governo Agnelo compromete serviços essenciais para a população. Para reequilibrar as contas públicas, ele diz que reduzirá número de cargos comissionados e secretarias e buscará novas fontes de receita

Paralisação das aulas na rede oficial de ensino e dos serviços na área da saúde, falta de manutenção das viaturas policiais, desabastecimento de remédios em postos médicos e hospitais, interrupção da coleta de lixo. Esses são os “riscos prioritários” que o governador eleito do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), pretende atacar em seus primeiros meses de governo.

Em entrevista coletiva concedida neste sábado, ele atacou a gestão do atual governador, Agnelo Queiroz (PT), e disse que pegará o comando do GDF com um déficit nas contas públicas de até R$ 3,8 bilhões. Rollemberg atribuiu o rombo a um “apagão” na administração do petista. “Houve um sério problema de gestão. O governo ampliou suas despesas sem consultar as secretarias da Fazenda e de Planejamento. Isso é fatal na administração pública e se reflete na interrupção de serviços essenciais”, criticou.

O governador eleito informou que, para sanar as contas, tomará providências como reduzir o número de secretarias e cargos comissionados do GDF e buscar novas fontes de receita. “Vamos tomar medidas ao longo do governo para ampliar receita e reduzir despesa para que o DF possa fazer contratações com dinheiro em caixa”, afirmou. Segundo ele, é possível aumentar a arrecadação sem aumentar impostos, com a obtenção de recursos federais e internacionais.

No último mês, várias categorias profissionais paralisaram ou promoveram protestos contra atrasos nos pagamentos de seus salários. Algumas empresas de ônibus pararam de circular para pressionar por repasses do governo. A alimentação e o abastecimento de medicamentos foram prejudicados nos hospitais. O serviço de limpeza da cidade também está comprometido.

“Alguns dos riscos que apontávamos no início da transição já se tornaram concretos, como a interrupção de serviço de transporte coletivo e de saúde. Esses riscos continuam e estão mapeados. Já estamos tomando providências”, declarou Rollemberg.

O governador eleito disse ter a “solidariedade” da população que reconhece a gravidade da situação das finanças do Distrito Federal e sabe que “ninguém fará milagre” em um ou dois meses. Segundo Rollemberg, sua gestão será pautada pelo tripé “austeridade, transparência e diálogo” mesmo após as contas apresentarem equilíbrio.

Candidato à reeleição, Agnelo não passou da terceira colocação nas eleições de outubro. No segundo turno, atacado pelos dois adversários, manteve-se neutro. Rollemberg venceu a disputa contra Jofran Frejat (PR) – o ex-deputado que assumiu a frente da chapa após o ex-governador José Roberto Arruda (PR) ser barrado pela Justiça com base na Lei da Ficha Limpa.

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