Defesa dos irmãos Lamas: “Valdemar Costa Neto manda e desmanda no PR”

Para advogado, ex-tesoureiro do PL era um "zero à esquerda" e não tinha poderes para influenciar nada no partido

O advogado do ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas, Délio Fortes Lins e Silva Júnior, argumentou que ainda que o mensalão tenha existido, seu cliente não participou do esquema. Lamas é acusado de ter sacado R$ 1,6 milhão de contas das empresas de Marcos Valério. No entanto, a defesa alega que Lamas fez o saque por determinação do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. E que ele desconhecia a origem ilícita e destinação dos recursos. O advogado ainda acrescentou que a importância de Jacinto Lamas no partido era “mínima”, e só cuidava da parte técnica voltada à propaganda do PL.

Em seguida, foi a vez de seu irmão, Antônio Lamas, ser defendido no púlpito do Supremo pelo advogado Délio Lins e Silva, pai do advogado anterior. Ex-assessor da liderança do PL na Câmara, ele é acusado de ter sacado R$ 350 mil do esquema para o irmão, Jacinto Lamas.

Segundo sua defesa, Antônio atuava como mensageiro do partido e só fez o saque por determinação de Valdemar Costa Neto. A procuradoria-geral recomendou a absolvição de Antônio por falta de provas, mas a defesa afirmou que não se contentaria com isso apenas.  “Queremos que essa Casa proclame que Antonio Lamas não é mensaleiro, não é quadrilheiro, não é lavador de dinheiro. [...] É como se dissesse: 'o senhor é mensaleiro, mas não temos como provar", disse o advogado.

A sustentação oral de Lamas foi a mais rápida até agora. Ele usou apenas 20 minutos.

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Segundo o advogado, Jacinto não tinha qualquer influência política dentro do partido. “Ele não tinha poder para influenciar votações ou para pleitear cargos no partido”, disse Délio Lins e Silva. O advogado atribuiu todo a responsabilidade pelas movimentações financeiras do partido ao deputado federal Valdemar da Costa Neto (PR-SP), e disse que Lamas apenas “figurava” como tesoureiro e assinava o que fosse preciso, mas não tinha poder para decidir qualquer coisa. “Quem mandava e desmandava no partido, como manda e desmanda até hoje é Valdemar da Costa Neto. Ele controla desde a compra de uma caneta até as votações do partido. [...] Ele [Lamas] era um zero à esquerda ali”, disse. Lamas é fundador do PL e considerado homem de confiança de Valdemar. O advogado minimizou a proximidade dos dois e afirmou que seu cliente era homem de confiança de todos no partido.

O advogado criticou o Ministério Público pela denúncia contra Jacinto Lamas. Délio afirmou que se o MP usasse o mesmo critério que usou para arrolar seu cliente como réu e os demais réus do processo, deveria pedir a condenação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não vou dizer de maneira nenhuma que ele deveria estar nessa denúncia, mas questiono a ausência de critério do MP. Se entre as quatro paredes do Planalto eram feitas as tratativas, quem seria o maior beneficiário? Seria o chefe da nação, o chefe do palácio do governo, o presidente Lula. [...] Por que é tão fácil acreditar no presidente Lula quando ele disse que nada sabia e é tão difícil acreditar em um mero subalterno?", afirmou, mas fez uma ressalva ao dizer que acredita no ex-presidente quando diz que nada sabia sobre o esquema.

O advogado afirmou que Lamas já está pagando por um crime que não cometeu. “Ele está cumprindo a pena há sete anos, sendo chamado de mensaleiro. Seus filhos cresceram ouvindo que seu pai é mensaleiro. Mas espero que agora isso se encerre. Tenho certeza que farão o julgamento de forma técnica e isenta, afastado de pressões da mídia, de ex-presidente, da CUT e de quem mais quiser pressionar. Tenho convicção que se assim o fizerem, Jacinto sairá daqui com o decreto de inocência”, afirmou Délio.

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