Defensores de Benedito dizem que influência dele era desnecessária

Para alguns procuradores, Demóstenes não precisaria da ajuda do irmão. Para outros, porém, ele teria de ter se afastado completamente da apuração de casos que envolviam Carlos Cachoeira

Os defensores do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, dizem que a suposta influência dele em processos no Ministério Público goiano (MPGO) seria desnecessária. Uma investigação sobre improbidade administrativa foi aberta por duas promotoras de Justiça contra o chefe da instituição, mas, na semana passada, a apuração foi tirada de suas mãos e passada ao procurador mais antigo, Pedro Tavares Filho.

MP de Goiás acusado de proteger irmão de Demóstenes

Leia outros destaques de hoje no Congresso em Foco

Aliados de Benedito dizem que, por exemplo, nunca o promotor Rodney Silva, coordenador de Gestão Integrada, seria pressionado pelo chefe. De acordo com a legislação brasileira, os membros do Ministério Público têm independência funcional e não são obrigados a cumprir as ordens dos colegas mais antigos, mesmo do procurador-geral.

Além disso, afirmam que, se Benedito quisesse ajudar o bicheiro Carlinhos Cachoeira, teria vazado informações a Demóstenes ou ao contraventor em março de 2011. Como mostrou o Congresso em Foco, o pedido de prisão da quadrilha estava pronto há um ano, mas discussões jurídicas atrasaram essa medida. Em março de 2011, dizem os aliados do procurador-geral, Benedito estava reunido com os colegas do Grupo de Combate ao Crime Organizado decidindo se pediam a prisão do bicheiro, como queria a Polícia Federal, ou se remetiam o caso para a Justiça Federal. Como mostrou o site, a opção foi a segunda.

Prisão de Cachoeira atrasou um ano

Mas não é essa a visão de adversários do procurador-geral e de seu irmão, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que também já chefiou o MPGO. Para eles, o mínimo que Benedito Torres poderia fazer era se afastar, até porque seria impossível ele não saber das relações próximas do próprio irmão com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Cachoeira, lembram, esteve no casamento de Demóstenes e deu a ele e à sua mulher presentes caros, itens importados de cozinha.

Além do mais, há uma preocupação explícita e também velada com a credibilidade da instituição. Um procurador de Justiça rememora constrangimento pelo qual passou um colega dele depois de conseguir a condenação de um assassino no Tribunal de Júri. Algemado, o réu foi conduzido à saída do fórum pelos policiais e parou para conversar com o promotor: “Doutor (sic), eu tô preso, né? Então... quando é que vocês vão prender o Demóstenes?”, desdenhou. Para esse procurador, fica difícil trabalhar quando a sociedade, e até os criminosos, não acreditam na isenção do Ministério Público.

MP de Goiás acusado de proteger irmão de Demóstenes
Tudo sobre a CPI do Cachoeira

Saiba mais sobre o Congresso em Foco (2 minutos em vídeo)

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!