Decisão sobre Cesare Battisti é privativa do Executivo, diz PGR

Edson Sardinha
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que apenas o Executivo brasileiro tem poder de decidir sobre a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Ao expor aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) os argumentos da Procuradoria Geral da República, disse que o governo da Itália não tem legitimidade para questionar a decisão do governo do Brasil, que concedeu refúgio político ao esquerdista.


"Admitir legitimidade de Estado estrangeiro é reunir exceções para dar origem a outra exceção", afirmou. “O ministro da Justiça não cometeu ato abusivo, sua posição se pautou na Constituição e em acordos internacionais”, sustentou Gurgel.


Cesare Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua, com privação da luz solar, sob a acusação de ter matado quatro pessoas no final dos anos 70, quando militava num grupo de extrema-esquerda. O ativista italiano nega participação nos crimes, diz que não teve direito de defesa e que corre risco de morte caso seja extraditado para a Itália.


Preso no Brasil em 2007, Cesare é considerado, desde o início do ano, refugiado político graças a uma decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, que contrariou a posição do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). A decisão das autoridades brasileiras, no entanto, é contestada no Supremo, que julga neste momento o caso.


Leia mais:

Cesare Battisti, exclusivo: 'Estou pronto pra tudo'

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!