Coadjuvantes quebram monotonia de debate na TV

Momentos acalorados ficaram por conta de Luciana Genro e Pastor Everaldo, que provocaram discussão sobre corrupção. Favoritos não foram forçados a se posicionar sobre temas espinhosos em debate da Igreja Católica

No terceiro confronto entre os presidenciáveis na campanha eleitoral deste ano, os três principais candidatos – Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) – não precisaram se enfrentar diretamente nem se posicionar sobre temas polêmicos como aborto, descriminalização das drogas, casamento gay e questões indígenas.

Promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e exibido pela TV Aparecida na noite desta terça-feira (16), o debate foi dividido em cinco blocos – em dois, os oito presidenciáveis participantes responderam questões formuladas por bispos e jornalistas e em apenas um puderam trocar perguntas, com direito à réplica e à tréplica.

No entanto, na reta final do debate, a monotonia foi interrompida pelo Pastor Everaldo (PSC), sorteado para questionar o senador Aécio Neves. Everaldo então pediu que o tucano comentasse sobre o suposto esquema de corrupção na Petrobras. “Os brasileiros estão envergonhados e indignados com o que vem acontecendo com a Petrobras. No nosso primeiro debate, eu disse à Dilma que ela tinha uma oportunidade para se desculpar com os brasileiros pela Petrobras. Ela foi presidente do conselho da empresa. De lá pra cá, outra denúncia surgiu, que fez com que o mensalão [do PT] parecesse coisa pequena”, disse Aécio.

Na sequência, o tucano foi sorteado para fazer uma pergunta à Luciana Genro (Psol), que usou o tempo disponível para atacá-lo. “O senhor [Aécio] fala como se nunca tivesse havido corrupção no governo do PSDB. Todos sabemos que o seu companheiro Eduardo Azeredo [ex-deputado federal e ex-governador de Minas] foi o criador do primeiro mensalão. Há também o processo de compra da reeleição do presidente FHC. Também tivemos o escândalo das privatizações das estatais. Então, o senhor, falando do PT, é como o sujo falando do mal lavado. As mesmas empreiteiras que financiam sua campanha são as mesmas que fizeram obras superfaturadas da Copa. Então fale do PT, mas fale do seu partido também”.

Aécio rebateu dizendo que Luciana Genro estava atuando como auxiliar do PT. Em tréplica, a ex-deputada petista demonstrou irritação. “Auxiliar uma ova. O PT aprendeu com o senhor e o seu partido. O mensalão do PT foi continuação do mensalão do seu partido. O senhor é tão fanático pelas privatizações que privatizou um aeroporto para sua família”.

Em meio ao clima acalorado provocado pelas questões formuladas pelos presidenciáveis do Psol e do PSC, Dilma e Aécio pediram direito de resposta. Candidata à reeleição, a presidente repetiu o discurso de que as gestões petistas fortaleceram a Polícia Federal e o Ministério Público. “Por isso hoje se descobre corrupção”. Já Aécio afirmou que a candidata do Psol disparou "impropérios irrelevantes" e não tem propostas para o Brasil.

No primeiro bloco, eles tiveram que opinar sobre a proposta de reforma política defendida pela CNBB e, no último, fazer as considerações finais.  Havia a expectativa de que os candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto fossem incitados no evento da Igreja Católica a se manifestar sobre temas espinhosos, como aborto e casamento gay. Por conta do sorteio, apenas Aécio teve de responder sobre união homossexual. Um jornalista perguntou se, caso eleito, ele vai sancionar projeto de lei que prevê a criminalização da homofobia.

“É preciso que fique claro que qualquer tipo de discriminação deve ser tratado como crime, inclusive a homofobia. Há uma decisão do Supremo Tribunal Federal que já é um realidade, isso é página virada. Que não pairem dúvidas sobre minha posição, como pairam em relação à de outras candidatas. O que precisamos é definir se o texto desse projeto é o adequado”, respondeu Aécio. Em 2011, o STF reconheceu como entidade familiar a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Graças ao formato do debate, o tucano e as duas candidatas que lideram as pesquisas de intenção de voto se alfinetaram à distância. Foram questionadas sobre saúde, desigualdade social, saneamento básico e juventude. Marina voltou a cobrar dos adversários a apresentação dos programas de governo.

Em enquete relâmpago no Twitter do Congresso em Foco, Luciana Genro foi apontada como a presidenciável com melhor desempenho.

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