De férias, “Japonês da PF” visita a Câmara: “Quero esquecer Lava Jato”

Tietado na Casa, o agente federal Newton Ishii, que ficou conhecido por participar das principais prisões da Lava Jato, descarta entrar para a política e diz que não quer saber de operação pelas próximas três semanas, enquanto estiver longe do trabalho

O agente da Polícia Federal (PF) Newton Ishii, que ficou conhecido nacionalmente como o “Japonês da Federal” por aparecer sempre ao lado de presos importantes da Operação Lava Jato, passou a tarde desta quarta-feira na Câmara. Ele chegou a Brasília para participar da posse da nova diretoria da Federação Nacional dos Agentes da PF. Acabou visitando seu colega da PF, o deputado Aluísio Mendes (PTN-MA). Ishii, sempre de óculos escuros que são a sua marca, terminou assediado pelos corredores da Câmara. A máscara inspirada no rosto dele foi um dos maiores sucessos do Carnaval deste ano. Virou até marchinha de bloco de rua.

O policial afirmou ao Congresso em Foco que nem pensa em participar da política partidária. Está de férias por mais três semanas e deve retornar a Curitiba, onde mora, nesta quinta-feira. Ele evitou fazer declarações polêmicas, disse que não queria tratar de assuntos que envolvessem o seu trabalho. “Quero esquecer a Operação Lava Jato nestas férias”, comentou Ishii entre uma foto e outra de passantes. O agente de 60 anos explicou que usa sempre óculos escuros, mesmo em ambientes fechados, porque há alguns anos fez uma operação para a redução das pálpebras e ficou com uma sensibilidade maior nos olhos.

Polêmicas

Funcionário da corporação desde 1976, Ishii é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e chegou a ser expulso em 2003, quando foi preso na Operação Sucuri, acusado de integrar uma quadrilha de contrabandistas que atuava na fronteira do Brasil com o Paraguai. Ele se aposentou no mesmo ano. Em 2014, teve a aposentadora revogada e foi reintegrado à corporação.

Além das recorrentes aparições ao lado de presos pela força-tarefa, Newton Ishii ficou famoso ao ser citado em gravação feita por Bernardo, filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, como “o japonês bonzinho”, suspeito de vazar dados da Lava Jato. O áudio levou à prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, em novembro do ano passado.

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