Custo Brasil: ex-tesoureiro do PT dá entrevista a rádio mesmo foragido da PF

Paulo Ferreira é um dos alvos da Operação Custo Brasil e, apesar de ter um mandado de prisão contra si expedido pela Justiça, disse que está "tranquilo" e pretende continuar trabalhando

Apesar da notícia de que teria um mandado de prisão expedido em seu nome, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira concedeu entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta quinta-feira (23). Procurado pela rádio tão logo a ordem de prisão foi anunciada, Ferreira não só atendeu ao contato para a entrevista como a concedeu e afirmou que está "tranquilo". Ele disse ainda achar "natural" que, em algum momento, surgisse seu nome na Operação Lava Jato.

Um membro da equipe da rádio relatou ao Congresso em Foco que a própria PF, depois de veiculada a entrevista, entrou em contato com a Gaúcha para saber como a produção havia conseguido contatá-lo. Outros veículos de imprensa também conseguiram localizar o ex-tesoureiro.

Ouça a entevista

Segundo a Polícia Federal, quando assumiu as finanças do Partido dos Trabalhadores, Ferreira insistiu para que o Ministério do Planejamento mantivesse o contrato com a empresa Consist, apontada como epicentro do esquema de corrupção na Pasta durante o governo Lula, quando era gerida pelo ministro Paulo Bernardo - preso pela Operação Custo Brasil.

Na entrevista, Paulo Ferreira, que também é ex-deputado federal, disse que exerceu seu trabalho junto ao PT assim como todos os outros tesoureiros o fazem nos outros partidos. "Fiz o trabalho que o secretário de finanças de qualquer partido faz: vai até as empresas e solicita doação em época eleitoral ou em época de dificuldade financeira da legenda”, explicou.

Ferreira se defendeu das acusações de ter influenciado no esquema de corrupção do Ministério do Planejamento alegando que nunca teve cargo no governo. "Nunca, neste período todo, tive nenhuma presença minha em nenhum órgão do governo, não entrei em ministério, não entrei em estatal, não conheço nenhum desses gestores que fizeram as delações, da Petrobrás ou de qualquer outro setor da administração pública”, ponderou.

Com voz tranquila, o entrevistado foragido disse que estava trabalhando em Brasília e pretendia voltar à Câmara dos Deputados no período da tarde. “Acho natural que em algum momento surja meu nome, como surgiu na Operação Lava Jato alguns empresários dizendo que tinham ligação comigo. Isso faz parte da política. Estou tranquilo e completamente à disposição”, afirmou à rádio.

Ferreira disse que desde 2006 conhece o ex-vereador Alexandre Romano, que delatou o esquema de propina no Ministério do Planejamento. Porém, afirmou que nunca se envolveu com negócios de Romano. Afirmou que pagou algumas despesas de sua campanha, mas os gastos eram irrisórios, girando em torno de R$ 5 mil.

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