Cúpula tucana age para conter infidelidade na Câmara

Líderes antecipam coleta de assinaturas para a formação de um bloco para evitar debandada da candidatura de Júlio Delgado. Nos bastidores, deputados se dividem entre marcar posição oposicionista ou derrotar o PT no primeiro turno

A possibilidade real de desidratação da candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara motivou a cúpula do PSDB a agir nesta quinta-feira (29). A três dias da eleição para a Mesa Diretora, os tucanos resolveram antecipar o processo de coleta de assinaturas para a formação de um bloco partidário entre PSDB, PSB, PPS e PV. Ao angariar apoio para a frente parlamentar, os líderes pretendem condicionar a divisão das comissões ao apoio ao pessebista mineiro.

Lançada nos últimos dias de semestre legislativo, a candidatura de Júlio Delgado sofre com dissidências internas há pelo menos duas semanas. Com a dificuldade de fechar o apoio de outros partidos, o que poderia garantir pelo menos a chegada ao segundo turno, o deputado mineiro passou a enfrentar problemas especialmente no PSDB. Estimativas sobre o número de dissidentes variam. As mais conservadoras apontam para 15 tucanos votando em Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Outros, no entanto, acreditam que 40 dos 54 deputados estarão com o peemedebista já no primeiro turno.

Após observar a movimentação de deputados tucanos, líderes do PSDB, do PPS e do próprio PSB decidiram iniciar a coleta de assinaturas para a formação do bloco. Para formar uma frente parlamentar, é preciso conseguir apoio de pelo menos maioria absoluta de cada bancada. O trabalho deve ser concluído nesta sexta-feira (30), mas apresentado somente no domingo (1º), já que é preciso esperar a posse dos novos deputados. Antes disso, acreditam oposicionistas, as conversas continuarão com a possibilidade de outras legendas entrarem no grupo.

"A formação do bloco é para acabar com qualquer especulação de desembarque, de abandono", afirmou o pessebista hoje em entrevista coletiva. De acordo com ele, também busca evitar que "outros concorrentes fiquem aliciando" seus aliados. O principal oferta feita aos tucanos é a 1ª vice-presidência. Além de ser o segundo no comando da Câmara, o deputado que ocupar o cargo será vice do Congresso, podendo influenciar na elaboração da pauta de vetos, por exemplo.

Reunião

Tucanos ouvidos pelo Congresso em Foco apontam o sábado como um dia crucial para a candidatura de Júlio. Neste dia, os partidos que apoiam o pessebista devem se reunir em Brasília. Haverá um apelo por parte de deputados do PSDB para que o mineiro desista da candidatura. Eles acreditam que é melhor derrotar Arlindo Chinalgia (PT-SP) já no primeiro turno. Estarão presentes os líderes e presidentes de cada legenda: Aécio Neves (PSDB), Roberto Freire (PPS), Carlos Siqueira (PSB) e José Penna (PV).

Deputados do PSDB ainda se ressentem da estratégia adotada por Aécio de apoiar Júlio como consequência das eleições de outubro sem consultar a bancada, em especial os parlamentares que assumirão o mandato pela primeira vez no domingo. Como a votação é secreta, é possível trair a orientação partidária sem grandes consequências. Porém, pretendem pressionar o senador mineiro, derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno presidencial, a retirar apoio ao pessebista.

Um parlamentar tucano ouvido pelo site resume a situação. Segundo ele, existem duas possibilidades: continuar apoiando Júlio Delgado e manter a postura de oposição, ou entrar de vez na candidatura de Cunha, que, apesar de ser de um partido da base, é visto pelo Palácio do Planalto como inimigo. Na visão do deputado, que inicialmente apoiava o deputado mineiro e agora é partidário do peemedebista, é preferível derrotar o governo no primeiro turno e negociar posições na Mesa e nas comissões do que arriscar um possível segundo turno.

No domingo, os líderes se reúnem à tarde para definirem as chapas. Estão em jogo, além da presidência, as duas vice-presidências, as quatro secretarias e as quatro suplências. Cada deputado, então, terá que escolher de uma vez os futuros ocupantes dos 11 cargos. Para levar no primeiro turno, é preciso maioria absoluta. Ou seja, independente do quorum, são necessários 257 votos para vencer. Já se ocorrer um novo turno, é maioria simples.

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