Cúpula do PSDB quer substituir Serra por Aloysio Nunes no Itamaraty

Líder do governo no Senado diz que não quer a função, mas ele é o nome preferido pelo presidente Michel Temer

 

A direção do PSDB já sabe que um representante do partido ocupará o ministério das Relações Exteriores, em substituição ao chanceler José Serra, que pediu exoneração do cargo na noite dessa quarta-feira (22). O senador Serra alegou que seus problemas na coluna o impedem de fazer tantas viagens longas ao exterior como a função exige. Para substituí-lo, a cúpula tucana tenta convencer o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), a topar a empreitada. Caso seja concretizada a ida do líder do governo para o Itamaraty, será aberta mais uma vaga na Casa para o suplente Aírton Sandoval, do PMDB.

Publicamente, Aloysio resiste e nega. Mas seu nome é o preferido também do presidente Michel Temer.  Assim que tomou posse, Temer sempre teve o nome do senador como a segunda opção para o posto. Na realidade, já estava na lista dos preferidos antes mesmo do julgamento final do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Temia-se que Serra não aceitasse o ministério na ocasião, mesmo com a transferência da Camex, o poderoso conselho encarregado da elaboração da Política de Exportação Brasileira.  Serra reassumirá seu mandato no Senado.

PMDB

A substituição de Serra será apenas uma parte da mini reforma ministerial que o governo estuda fazer para ampliar o número de votos no Congresso para aprovar, ainda este ano, as reformas da Previdência e Trabalhista. Parte das bancadas do PMDB na Câmara e no Senado não considera vantagem a indicação do deputado Osmar Serraglio (PR) para ministro da Justiça. Amigo do presidente e seu aluno no mestrado em São Paulo, o deputado trabalha para ser nomeado, mas não resolve a voracidade dos parlamentares do partido por mais poder.

Setores do partido do presidente da Republica estão de olho no ministério da Saúde e apostam no desgaste do deputado Ricardo Barros, que ocupa o cargo na cota do PP. A proposta feita a Temer para contemplar o seu partido é a divisão entre o PMDB e o PP das seis secretarias nacionais do ministério que, cada uma, equivale ao poder e ao orçamento de um posto do primeiro escalão.

Outra opção dos insatisfeitos do PMDB é dividir com o PP os cargos de segundo escalão da pasta, também poderosos pelos seus orçamentos e capacidade de realizar obras em convênios com milhares de prefeituras.

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