Cunha rebate afirmações do AGU na Comissão do Impeachment

Cardozo afirmou que Cunha aceitou processo de impeachment contra Dilma Rousseff por "vingança". Cunha lembrou que acatou denúncia em 2 de dezembro de 2015 e que primeira votação no Conselho de Ética aconteceu no dia 15 do mesmo mês, o que descaracterizaria a tese apresentada

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, rebateu nesta segunda-feira (4) as afirmações do advogado-geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, de que o processo de impeachment teria sido aceito como uma vingança. De acordo com o presidente, Cardozo faltou com a verdade em todos os sentidos e exerceu de forma "indigna" a defesa da presidente Dilma Rousseff na Comissão Especial do Impeachment.

“Ele tem de defender o governo das acusações de corrupção e de obstrução da Justiça e não buscar, digamos assim, um antagonismo qualquer para se furtar de dar as explicações que ele precisa dar para o País e de convencer o Plenário da Câmara dos Deputados para abertura ou não do processo [contra Dilma]”, disse Cunha. Segundo o presidente, Cardozo tenta criar uma polarização com ele, Cunha, para desviar o foco do impeachment.

O presidente da Câmara lembrou que aceitou a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff em 2 de dezembro de 2015 e a primeira votação no Conselho de Ética aconteceu no dia 15 do mesmo mês, o que descaracterizaria a tese de vingança.

Em reunião da Comissão Especial do Impeachment, Cardozo afirmou que a abertura do processo de impeachment teria sido uma vingança do presidente da Câmara contra o voto da bancada do PT favorável a investigar Cunha por no Conselho de Ética suposta quebra de decoro.

Pedidos arquivados

Cunha também falou que arquivou nove pedidos de impeachment, sete contra Dilma Rousseff e outros dois contra o vice-presidente Michel Temer, inclusive o entregue na sexta-feira (1) pelo ex-ministro da Educação Cid Gomes: “Hoje despachei nove; ainda faltam alguns contra a presidente Dilma, uns cinco ou seis que ainda não houve tempo de despachar.”

Sobre o rascunho do voto do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de mandar a Câmara aceitar denúncia contra Temer, vazado na sexta-feira (1), Cunha disse que se a decisão for realmente essa, a Câmara vai recorrer. “O plenário [do STF] não mudará o entendimento que já teve. Certamente o plenário vai rever essa decisão se ele vier a proferir. Nós antecipamos as informações que seríamos chamados a prestar”, disse, sobre o ofício enviado hoje ao Supremo. De acordo com o documento, apenas o presidente da República pode ser impedido pelo Congresso Nacional, e ministros do Supremo não podem intervir em ato do Legislativo.

Eleições

A pedido dos repórteres, Cunha comentou a proposta do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) de realização de eleições gerais em outubro deste ano para tentar resolver a atual crise política.

“Se houvesse Parlamentarismo no Brasil, ele estaria certo. Não podemos acabar com os mandatos em curso de senadores, deputados, prefeitos, governadores”, afirmou o presidente. “Que eleição se faria agora — só casuisticamente a quem interessa? A intenção do senador é boa, mas isso é uma utopia: não se pode enganar a população com ideias que não vão ter nenhum resultado prático”, acrescentou.

Offshore

O presidente da Câmara negou ter relação com uma empresa offshore criada pela firma panamenha Mossack Fonseca, especializada na abertura de offshores. “Não tem nenhum documento e eu desafio a provarem. Assino o documento que quiserem, não há nenhuma vinculação minha direta ou indireta com essa empresa offshore citada.”

Mais de 11 milhões de documentos relacionados à empresa começaram a ser divulgados nesta semana em veículos ao redor do mundo e tratam da atuação da Mossack Fonseca por quase 40 anos, de 1977 a dezembro de 2015.

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