Crise ameaça 2,2 milhões de empregos com carteira assinada este ano

Considerando o desemprego medido pela Pnad contínua (indicador do IBGE que substituiu a pesquisa anterior, realizada apenas nas principais regiões metropolitanas do país), a taxa salta de 8,7%, na média de 2015, para 13,5% em 2017, segundo a LCA. Na medida antiga (PME), iria de 6,9% para 9,5%

Especialistas de mercado afirmam que este ano o Brasil pode perder até 2,2 milhões de vagas com carteira assinada, e a retomada do aumento dos empregos só deve começar a reagir em 2018. O desemprego, que em 2015 se concentrou mais no setor industrial e na construção civil, avança agora sobre o setor de sérvios e o comércio. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Enquanto a economia não retomar seu crescimento, a inflação seguir corroendo o poder de compra das famílias e as empresas estiverem tentando se estruturar, o trabalhador com carteira assinada deve ser o mais afetado, segundo analistas que preveem o avanço da informalidade na hora de contratar. Os mais otimistas falam na supressão de 800 mil vagas.

Já os mais pessimistas acreditam que o PIB vai encolher 3%, o que terá como consequência a perda de 2 milhões a 2,2 milhões de empregos com registro em carteira.

Defasagem

"O mercado de trabalho sente os efeitos da fraca atividade com defasagem de até um ano. Os problemas de 2015 terão desdobramentos mais adiante", afirma Fábio Romão, da LCA Consultores.

Os dados mais recentes mostram que, de janeiro a novembro de 2015, desapareceram 945 mil vagas formais, o que reverteu a tendência de alta verificada de 2002 a 2014.

A indústria concentrou 44% da perda, seguida pela construção civil. Comércio e serviços responderam, juntos, por 30% das vagas fechadas.

"Daqui para frente, o enfraquecimento será onde ainda há gordura para cortar: no comércio e no setor de serviços. A indústria brasileira já regrediu oito anos —voltou ao mesmo nível da crise de 2008. Pode ainda haver perda no setor industrial? Pode, mas não com a mesma magnitude já vista", diz Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados.

Itens ligados ao consumo das famílias (alimentação, educação, lazer e turismo) e os que impactam empresas (transporte, logística e armazenagem) devem ser os mais afetados. Vale o mesmo raciocínio para o comércio, setor dependente do bolso do consumidor.

A taxa de desemprego na média anual, ainda segundo o diretor da GO, sobe para 10%, este ano, se considerada a pesquisa mensal de emprego (PME) do IBGE.

"São três pontos percentuais acima da taxa média de 2015 (7,1%). O desemprego começa a ceder, mas pouco. A previsão é a taxa média ficar no patamar de 9%", diz Silveira.

A redução no número de empregos formais deve ser semelhante ao de 2015, de acordo com o economista Fábio Romão.

"Em 2016, o Brasil deve perder 1,46 milhão de vagas, sendo que a maior parte deve ser fechada no primeiro trimestre."

Procura

Romão acredita que o desemprego deve continuar subindo em 2016 e 2017, mesmo levando-se em conta retrações do PIB menores do que a prevista para 2015 (-3,6%).

"Deve haver geração de vagas em 2017. Mas, como será um ano de saída de crise, a busca por emprego vai pressionar o mercado de trabalho. A ocupação cresce em ritmo menor que a população economicamente ativa", afirma.

Considerando o desemprego medido pela Pnad contínua (indicador do IBGE que substituiu a pesquisa anterior, realizada apenas nas principais regiões metropolitanas do país), a taxa salta de 8,7%, na média de 2015, para 13,5% em 2017, segundo a LCA. Na medida antiga (PME), iria de 6,9% para 9,5%.

Leia aqui a íntegra da matéria da Folha

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