CPMF: Temer nega apoio a Dilma para volta do tributo

Peemedebista avisa que não se movimentará para buscar apoio no Congresso para aprovação da proposta. Segundo a Folha de S.Paulo, presidente e vice tiveram diálogo ríspido ao telefone ao discutir o assunto

Na última quinta-feira (27) a presidente Dilma Rousseff  telefonou para o seu vice, Michel Temer, em busca de apoio para defender a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O vice respondeu que a proposta enfrentará resistências no Congresso e que não poderá fazer nada para levar a ideia adiante se ela insistir no assunto.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a conversa entre Dilma e Temer foi dura, sinalizando um primeiro embate entre a presidente e o vice. A assessoria de Temer, contudo, negou qualquer conflito neste sentido.

A proposta do governo de recriar a CPMF (tributo extinto em 2007) pegou o vice-presidente de surpresa. Sem saber dos planos da equipe econômica do governo, Temer ficou por fora das discussões e se irritou ao descobrir as movimentações políticas apenas pelos jornais, de acordo com a reportagem.

Em conversa com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Temer argumentou o mesmo que em seguida diria para Dilma: o Congresso votará contra a proposta, e isso apenas criará mais desgaste para o governo. Levy, por outro lado, mostrou-se confiante, dizendo que a proposta terá apoio dos governadores.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, defende uma alíquota de pelo menos 0,38%, o último percentual da CPMF. Segundo ele, a volta do tributo é necessária para aumentar o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na última sexta-feira (28) o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aproveitou para ironizar a possibilidade de retorno da CPMF, afirmando que ela poderá ser útil para unir o PMDB novamente, uma vez que ele, Renan Calheiros e Michel Temer são contrários à mudança.

Esta não é a primeira vez que o vice-presidente ficou por fora de debates importantes do governo. A reportagem lembra que Temer também deixou de ser consultado em 2013, quando Dilma sugeriu a convocação de uma Constituinte para discutir a reforma política, e este ano durante as discussões sobre a proposta orçamentária de 2016.

Confira a íntegra da reportagem da Folha de S. Paulo

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