CPMF: Simon e Virgílio batem boca em sessão

Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) bateram boca na madrugada desta quinta-feira (13) durante a sessão que analisa a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

O confronto começou com o pedido do senador gaúcho de adiar por 12h a votação da matéria, o que faria com que os parlamentares pudessem analisar com mais calma a proposta do governo de vincular toda a receita da CPMF para a saúde, ou manter o imposto até 2009 e promover a reforma tributária no próximo ano. “Qual é a diferença de votar agora [00h01] e votar daqui a 11h59?”, questionou Simon.

Após o pedido do peemedebista, Virgílio declarou: “Não arranje desculpas para o seu voto. Diga: ‘Eu vou votar a favor da CPMF porque eu acho que ela é boa para o equilíbrio fiscal’”.

O tucano ainda pediu para que Simon “fosse digno”. “Agindo dessa forma, Vossa Excelência deixa mal os outros que vão votar a favor da CPMF”, complementou Virgílio. Da tributa, o líder tucano afirmou que Simon "se acha acima do bem e do mal, mas não é".

Simon pediu a palavra, para rebater os ataques de Virgílio, profundamente irritado: "Não fui citado, fui agredido e quero ter o direito de falar". Em seguida, afirmou: ”Não é Vossa Excelência que vai ditar o meu comportamento, que vai ditar o que vou fazer e não vou fazer. Vossa Excelência tinha calças curtas quando eu já fazia política com o seu pai. Onde mereço a agressão que recebi? Qual foi o crime que cometi? Eu pedi 12h para analisar uma proposta. Esta sessão estava num nível elevado demais... Negar-se a analisar não tem lógica, não tem justificativa. Juro por Deus. Eu não entendo, senhor presidente”.

Nesse instante, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), pedia aos parlamentares para que não o deixassem em situação difícil.

Dirigindo-se a Garibaldi, recém-eleito presidente da Casa, Virgílio declarou que se o senador Pedro Simon estava atuando como “mensageiro da manobra” do Palácio do Planalto. Uma manobra que, segundo ele, implicava não só o adiamento da votação, mas o descumprimento pela segunda vez consecutiva do acordo feito quanto à data de votação da PEC da CPMF. "Íamos votar terça-feira, íamos votar na quarta. Adiar de novo? Ora, como negociar com um governo que não cumpre o acordo feito? Se o senador Simon fosse mensageiro da manobra apenas um dia antes, ele, senhor presidente, que estaria sentado na cadeira onde V. Exa. está agora".

Simon, que perdeu para Garibaldi a a indicação do PMDB para a presidência do Senado, ressaltou a situação contraditória que vivia. No início da tarde, afinal, ele havia criticado o governo Lula por não considerá-lo “previsível” e foi torpedeado pelo próprio presidente. "Veja a contradição. Começo o dia ouvindo do presidente que ele não acredita em mim, e agora sou obrigado a ouvir agressões do líder da oposição, o ilustre líder ao qual jamais faltei com o respeito, porque defendo a reflexão, a negociação, interessado não em agradar ao governo ou a quem quer que seja, mas em verificar o que é melhor para o país".  

Os ânimos se exaltaram ainda mais quando a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) tentou puxar uma vai contra Simon. Foi repreendida por senadores da oposição e da base governista. O líder do PSDB, Renato Casagrande (ES), subiu em seguida à tribuna para condenar o comportamento de Arthur Virgílio. "Com todo o respeito que tenho ao senador Arthur Virgílio, com quem tenho uma excelente relação, tenho o direito de dar minha opinião sobre um episódio que foi público. Entendo que ele extrapolou na agressividade contra um senador que é referência para todos nesta Casa, sobretudo para aqueles que, como eu, estão aqui no primeiro ano". 

Minutos depois, Virgílio desculpou-se por sua atitude e, no plenário, o abraçou, pondo fim ao incidente. (Rodolfo Torres e Sylvio Costa)

Matéria publicada à 0h32 de 13.12.2007. Última atualização às 2h15 do dia 13.12.2007. 

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