CPI vai convocar Fernando Soares, apontado como operador do PMDB na Petrobras

A CPI não marcou a data do depoimento, mas há um empecilho para o interrogatório de Soares. Um Ato da Mesa da Câmara veda a entrada de detentos nas dependências da Casa

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras aprovou a convocação do empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado pelo Ministério Público Federal como operador do PMDB na Petrobras, onde o contato principal seria o ex-diretor da área Internacional da estatal Nestor Cerveró. Os dois estão presos em Curitiba (PR). Eles foram denunciados por corrupção contra o sistema financeiro nacional e lavagem de capital entre 2006 e 2012, mas negam as acusações. Soares nega envolvimento, assim como o PMDB.

A CPI não marcou a data do depoimento, mas há um empecilho para o interrogatório de Soares. Um Ato da Mesa da Câmara veda a entrada de detentos nas dependências da Casa.

O empresário é mencionado nos depoimentos do doleiro de Alberto Youssef, que o acusou de ser o operador de propinas do PMDB – encarregado de intermediar o pagamento entre as empresas contratadas pela Petrobras e diretores e funcionários da empresa. O mesmo disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Toyo Setal
Soares também aparece no depoimento do empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, outro delator do esquema. Camargo afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal que, em 2005, atuou como agente de uma empresa sul-coreana para oferecer à Petrobras sondas de perfuração que seriam usadas na África e no Golfo do México. Para fechar o negócio, ele aceitou pagar propina de US$ 15 milhões (correspondentes a R$ 39 milhões) a Soares.

Júlio Camargo disse que procurou Soares porque sabia de seu "bom relacionamento" com a área internacional da Petrobras, à época comandada por Nestor Cerveró. De acordo com o executivo, o dinheiro do suborno saiu dos US$ 20 milhões que ele recebeu de comissão de comissão para intermediar o negócio.

Camargo contou ainda que foi procurado novamente por Soares, dois meses depois, para tratar do fornecimento da segunda sonda, que seria usada no Golfo do México. Dessa vez, ele teria pago US$ 25 milhões (correspondentes a R$ 65 milhões) de propina para viabilizar a operação. No total, ele diz ter pago US$ 40 milhões em propina.

Andrade Gutierrez
Paulo Roberto Costa falou de Soares ao detalhar, em depoimento, acusações à empreiteira Andrade Gutierrez, uma das empresas acusadas de formação de cartel. Segundo Costa, os valores foram "cobrados e geridos" por Soares. O delator afirmou que Soares passou a cobrar o dinheiro da Andrade Gutierrez a partir de 2008 ou 2009, no lugar do doleiro Alberto Youssef.

Costa disse ainda, em depoimento à Polícia Federal, que recebeu 1,5 milhão de dólares de Fernando Soares para “não atrapalhar” a compra da refinaria. O dinheiro, segundo ele, foi depositado no exterior.

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