CPI do Futebol quer investigar depois denúncias sobre CBF

Inicialmente criado para investigar entidade, colegiado ampliou escopo de apuração e desviou o foco. "Esta CPI não será só em cima da CBF. Nossa ideia é contribuir para a melhoria do futebol", disse o relator, Romero Jucá

A CPI do Futebol definiu nesta terça-feira (11) seu plano de trabalho para os próximos meses. Segundo a proposta do relator, Romero Jucá (PMDB-RR), a comissão deve a princípio avaliar o cenário atual do futebol brasileiro. Para isso, ouvirá dirigentes, atletas, árbitros e jornalistas. Apenas depois dessa etapa a CPI entrará em seu objeto principal, que é investigar irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e na realização da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.

— Esta CPI não será só em cima da CBF. Nossa ideia é contribuir para a melhoria do futebol. Quero ter, primeiro, uma visão geral, começar a ouvir da base, das federações, passando pelos clubes, para construirmos uma lógica de como funciona o sistema como um todo. Se formos discutir só a gestão da CBF, não vamos ter as informações do que vem a ser o futebol que deságua nela — afirmou Jucá.

O presidente da CPI, senador Romário (PSB-RJ), afirmou ser “100% a favor” do plano apresentado. Para ele, a comissão pretende iniciar uma reestruturação do futebol no país. Para isso, o colegiado deve ter um amplo horizonte de atuação.

— O objetivo aqui é um só: moralizar o futebol. Como senador, brasileiro e ex-jogador, conto que a gente possa mudar a cara do nosso país pelo menos em relação ao futebol. Com esta CPI, temos a oportunidade de repaginar o esporte que é o mais querido por todos nós.

Cronograma

O plano de trabalho de Jucá prevê audiências semanais de representantes de diferentes setores do futebol. A primeira delas, na próxima terça-feira (18), contará com os jornalistas Juca Kfouri, Sérgio Rangel, Jamil Chade e José Cruz. Segundo Romário, os quatro profissionais têm um histórico de expor as mazelas do futebol brasileiro e darão importantes contribuições para embasar as audiências posteriores. O presidente da CPI informou que os quatro já confirmaram disponibilidade para comparecer na próxima semana.

A reunião seguinte receberá presidentes de federações estaduais, para que falem sobre organização local do futebol e calendário de competições. O relator, Romero Jucá, convidou as federações de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Distrito Federal, Amazonas e Acre, mas ressaltou que representantes de outros estados podem ser convidados.

A terceira audiência prevista no plano de trabalho terá a presença de dirigentes de clubes, que discorrerão sobre a situação das agremiações e gestão e legislação. Jucá selecionou os presidentes de Atlético Mineiro, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Sport e Vasco para serem convidados. Outros nomes podem ser acrescentados.

A CPI também ouvirá representantes de classe de atletas, treinadores e árbitros, além de personalidades que fizeram ou fazem parte da história do futebol brasileiro. Entre eles estão o técnico da seleção brasileira, Dunga, e os ex-jogadores Pelé e Zico. Este último ocupou o cargo de Secretário Nacional de Esportes entre 1990 e 1991 e já declarou a intenção de concorrer à presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) nas próximas eleições da entidade.

Objeto da investigação

Após as audiências, que devem consumir os próximos dois meses, a CPI começará a ouvir personagens mais diretamente envolvidos com sua motivação principal, que são as possíveis irregularidades em contratos firmados para a realização de partidas da seleção brasileira e de campeonatos organizados pela CBF, assim como para a realização da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.

Nessa fase, a comissão deverá convocar o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira, que ocupou o cargo até 2012. Teixeira também chefiou o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL) entre 2009 e 2012. O plano de trabalho prevê ainda possíveis audiências de outros membros do COL e da CBF.

As viagens da CPI à Suíça e aos Estados Unidos, aprovadas na reunião da semana passada, não estão formalmente previstas no plano de trabalho, mas podem ser incluídas a qualquer momento. Segundo Jucá, como ainda não houve confirmação das autoridades dos dois países sobre o assunto, ele preferiu não pautá-las agora. No entanto, o relator afirmou que elas são prioritárias.

Outras decisões

Na reunião desta terça, a CPI também aprovou requerimento solicitando à Procuradoria-Geral dos Estados Unidos o compartilhamento de informações sobre a investigação de esquema de corrupção na Fifa. O FBI, agência federal de investigação daquele país, é responsável pela operação.

A comissão também elegeu seu vice-presidente, que será o senador Paulo Bauer (PSDB-SC).

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