CPI do Carf quer quebrar sigilos de presidente da Mitsubishi no Brasil

Principal alvo das investigações envolve redução de dívida obtida pela empresa junto ao Carf. Valor inicial superior a R$ 266 milhões teve sua cobrança reduzida para menos de R$ 1 milhão ao final do processo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) ouviu nesta quinta-feira (9) o presidente da Mitsubishi no Brasil, Robert Rittscher. O principal alvo das investigações envolve a redução de uma dívida obtida pela empresa junto ao Carf, por meio da qual uma autuação no valor inicial superior a R$ 266 milhões teve sua cobrança reduzida para menos de R$ 1 milhão ao final do processo.

Durante a tramitação no Carf a Mitsubishi contratou como consultora a empresa Marcondes & Mautoni, que até o momento aparece na Operação Zelotes, da Polícia Federal, como uma das intermediárias no esquema de propinas envolvendo empresas e funcionários do órgão.

No total a Mitsubishi repassou para a Marcondes & Mautoni valores superiores a R$ 40 milhões, segundo Rittscher relativos a serviços prestados, e cuja documentação será posteriormente apresentada à CPI.

Mas o teor do depoimento do empresário não satisfez o presidente da CPI, Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Ele requereu formalmente à assessoria da comissão a elaboração de um requerimento solicitando a quebra dos sigilos telefônico e telemático de Rittscher, que negou ter qualquer tipo de envolvimento com diversos investigados pela Operação Zelotes. O requerimento pode ser votado na próxima reunião do colegiado.

Também com o objetivo de aprofundar as investigações, a CPI aprovou hoje a convocação de Paulo Ferraz, presidente da Mitsubishi na gestão anterior a Rittscher. Ataídes acredita que as investigações envolvendo a empresa devem esclarecer diversos pontos sobre como funcionaria o esquema dentro do Carf.

- A Mitsubishi conseguiu um sucesso escuso, criminoso. Porque resolveram cobrar cerca de R$ 1 milhão? Pra enganar trouxas? - questionou.

O senador chegou a perguntar a Rittscher se ele aceitaria aderir posteriormente a uma delação premiada junto à Polícia Federal, perguntando se ele não temia "ser preso" como aconteceu com Marcelo Odebrecht na Operação Lava-Jato. Mas o empresário garantiu não ter nenhuma razão para fazer isso, pois já estaria prestando todos os esclarecimentos dos casos sobre os quais possui conhecimento.

A relatora, senadora Vanessa Graziottin (PC do B-AM), apoiou a quebra dos sigilos do empresário.

- É muito difícil acreditar que ele não possui nenhuma relação com alguns dos investigados na Zelotes - disse.

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