CPI do Cachoeira terá mais 48 dias para concluir investigações

Comissão deixará de lado cerca de 500 requerimentos. Parlamentares têm até o último minuto de hoje para acrescentar ou retirar apoio a pedido de prorrogação das atividades por esse período

Na véspera do feriado de Finados, a esvaziada sessão plenária do Senado desta quinta-feira (1º) serviu ao menos para a leitura do requerimento de prorrogação da CPI do Cachoeira, feita pelo vice-presidente da Casa, Aníbal Diniz (PT-AC). O colegiado funcionará por mais 48 dias caso não haja uma retirada em massa de assinaturas de adesão até as 23h59 de hoje, quando termina o prazo para a exclusão ou inclusão de apoios. Ao todo, 222 deputados e 41 senadores assinaram o protocolo de adesão, números que ultrapassam com folga a exigência regimental mínima (171 deputados e 27 senadores, um terço de cada Casa).

 

Confira a íntegra do requerimento de prorrogação com as assinaturas
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Os oposicionistas DEM, PPS, PSDB e Psol uniram-se a parlamentares independentes de legendas aliadas, como PTB e PDT, e buscaram apoio para prorrogar a comissão por 180 dias. Depois, admitiram o fracasso na tarefa. O prazo estipulado foi definido pela base governista para compensar o tempo em que a CPI suspendeu seus trabalhos por causa das eleições municipais. Foram quase dois meses sem qualquer reunião. Para membros da oposição, a CPI acabou na prática, já que existem cerca de 500 requerimentos em pauta que não serão analisados.

“O requerimento será publicado no Diário Oficial do Senado Federal, de 2 de novembro do corrente, e será feita a comunicação à Câmara dos Deputados”, informou Aníbal Diniz, depois de se referir às “práticas criminosas do senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido vulgarmente como Carlinhos Cachoeira”.

A CPI tinha prazo inicial de funcionamento até o próximo domingo (4), sem muitos avanços em relação ao conjunto de documentos em posse dos parlamentares membros da comissão – como este site registrou em 27 de setembro. Diante de rumores de que um “acordão” estava em curso para emperrar investigações, com o patrocínio de membros da base governista, oposicionistas e parlamentares independentes iniciaram uma reação que consistiu em reclamações à imprensa e na coleta de assinaturas de adesão para o tempo extra de trabalho.

Parlamentares rechaçam acordo para encerrar investigações

Mesmo com o levante oposicionista, a CPI correu o risco de sequer ser prorrogada, restando apenas a leitura do parecer do relator, Odair Cunha (PT-MG), e a votação do documento pela maioria governista no plenário do colegiado. Como o Congresso em Foco também registrou, na última terça-feira (30), quatro alternativas eram consideradas para os rumos da CPI – inclusive dobrar o tempo de funcionamento do prazo inicial (180 dias). Com a prorrogação em curso, o encerramento dos trabalhos deve coincidir com o encerramento do ano legislativo, em 22 de dezembro.

Parlamentares não se entendem sobre os rumos da CPI

Instalada em maio, a CPI do Cachoeira foi criada para investigar a teia de relacionamentos capitaneada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, a partir de Goiás, que reúne agentes públicos e privados, como políticos, empresários e até autoridades de segurança pública e do Ministério Público – como o ex-senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM), o segundo da história a ser cassado pelos pares, justamente por seu envolvimento com Cachoeira. Amigo de Demóstenes e do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro.

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