CPI examina convocação de quatro governadores

Dois tucanos e dois peemedebistas estão na pauta da CPI do Cachoeira, que se reúne amanhã para votar mais de 200 requerimentos

Quatro governadores e um ex-governador estão entre as autoridades passíveis de convocação pela CPI do Cachoeira esta semana. A comissão parlamentar de inquérito que apura as relações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reúne-se nesta terça-feira (14) para analisar mais de 200 requerimentos. Entre eles, o do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que pede a divisão dos trabalhos do colegiado em sub-relatorias, proposta que enfrenta resistência do atual relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que diz não ver necessidade de compartilhar o comando das investigações.

Há pedidos de convocação dos governadores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás. No caso do governador goiano, Marconi Perillo (PSDB), o pedido é de reconvocação, pois ele já prestou depoimento à CPI em junho. O autor do pedido, senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), quer que Marconi explique a informação publicada pela revista Época de que recebeu propina, por meio da venda de uma casa a Cachoeira, para liberar pagamentos do governo estadual à empreiteira Delta. O governador nega a acusação.

Principal adversário político de Marconi, o ex-governador Iris Rezende (PMDB) também entra na mira da comissão. A CPI deve examinar requerimento do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) que pede a convocação de Iris para explicar a denúncia de que recebeu R$ 2 milhões de Cachoeira para sua campanha ao governo estadual em 2010, quando foi derrotado por Marconi. O pedido se estende a Sodino Vieira, ex-coordenador da campanha do ex-governador.

Outros dois governadores peemedebistas também podem ser chamados a dar explicações a pedido do deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). O deputado quer que Silval Barbosa, de Mato Grosso, esclareça as suspeitas de que Cachoeira se movimentava para assumir o controle da loteria estadual. Filipe também defende a convocação de André Puccinelli, de Mato Grosso do Sul, para explicar as relações do governo do estado com a Delta, empresa para a qual o contraventor fazia lobby no Centro-Oeste.

O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) propõe a convocação do governador do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB). Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, quase metade dos recursos financeiros recebidos pelo comitê da campanha do tucano em 2010 tem como origem empresas ligadas ao grupo de Cachoeira.

Cavendish

Também nesta terça-feira, a CPI deve confirmar para a última semana de agosto o depoimento do dono da Delta, Fernando Cavendish. A convocação dele já foi aprovada pela comissão, que quer saber qual era o grau de atuação de Cachoeira na empreiteira que realizava o maior número de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no país.

A CPI deve examinar, ainda, dois requerimentos do senador Fernando Collor (PTB-AL). Um deles convida o juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelas investigações do caso em Goiás, a esclarecer a tentativa de chantagem feita pela noiva do contraventor, Andressa Mendonça. Ela chegou a ser detida há duas semanas, acusada de oferecer vantagem indevida ao juiz em troca da liberdade de Cachoeira. Segundo o magistrado, Andressa disse que impediria a publicação de um dossiê contra Alderico na revista Veja caso ele libertasse o contraventor. Para não ser presa, ela teve de pagar fiança de R$ 100 mil e se comprometer a ficar longe do grupo de Cachoeira enquanto durarem as investigações.

Collor pede ainda a convocação do jornalista Policarpo Júnior, chefe da sucursal da Veja em Brasília, do presidente do grupo Abril, responsável pela publicação da revista, Roberto Civita, e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O senador acusa a revista de ter relações com Cachoeira.

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