CPI do BNDES: “Me chamo José Carlos e não ‘amigo de Lula’”, diz Bumlai

Convocado para esclarecimentos, pecuarista obteve autorização judicial para permanecer em silêncio no colegiado da Câmara. Ao final do depoimento, fez defesa de sua trajetória empresarial

Depois de quase três horas sem responder qualquer pergunta, o pecuarista José Carlos Bumlai afirmou aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES que vai provar sua inocência, defendeu sua trajetória profissional e disse que não pode ser conhecido apenas como “o amigo do Lula”. “Erraram até o meu nome. Eu me chamo José Carlos e não 'amigo de Lula'”, disse.

Bumlai justificou o silêncio usando sua condição de investigado. “Na semana passada eu vim aqui, como testemunha, disposto a responder todas as perguntas, mesmo tendo sido proibido por recomendação médica”, destacou.

O pecuarista foi preso no dia 24 de novembro pela Operação Lava Jato, em Brasília, horas antes de comparecer à CPI.

Ele compareceu à reunião amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, depois de tentar, sem sucesso, ser dispensado pela comissão.

A falta de respostas irritou os deputados. “Foi uma frustração a participação do senhor nesta CPI e vou solicitar ao juiz Sérgio Moro o compartilhamento do seu depoimento à Justiça”, disse o deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), presidente da CPI.

Conhecido pela amizade com o ex-presidente Lula, Bumlai está preso em Curitiba, acusado de obter propina por intermediar contratos de empresas junto à Petrobras.

Segundo o Ministério Público, Bumlai obteve vantagens do banco Schahin em troca de um contrato de fornecimento de navio sonda para a Petrobras por uma das empresas do grupo. De acordo com a suspeita, o banco teria perdoado uma dívida de R$ 21 milhões de Bumlai depois da operação.

Irritação

“Sua postura é covarde e antipatriótica. O senhor apostou na impunidade por ser amiguinho de autoridade. Seu silêncio é ensurdecedor e o senhor não pode vir aqui fazer todo mundo de palhaço”, disse o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), um dos autores do requerimento de convocação do empresário.

Jordy queria saber se ele conhecia o empresário Eike Batista e o operador Fernando Soares, o Baiano, bem como as condições dos empréstimos que as empresas dele obtiveram junto ao BNDES.

“Vou me manter calado, deputado”, respondeu Bumlai a todas as questões.

“Vou abrir mão de perguntar porque isso aqui é uma vergonha”, disse o deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP).

Os deputados Sérgio Vidigal (PDT-ES) e José Rocha (PR-BA), que é relator da CPI, perguntaram a respeito das condições oferecidas pelo BNDES para financiar empresas de Bumlai. Não tiveram resposta.

Nem mesmo acusações diretas fizeram com que Bumlai respondesse as perguntas. “O senhor fez tráfico de influência a mando do ex-presidente Lula e ele diz agora que o senhor não era tão amigo assim”, acusou o deputado Miguel Haddad (PSDB-SP), vice-presidente da CPI.

“O Brasil não cresce hoje por causa de pessoas como o senhor, que assaltaram o povo brasileiro. Ponha a mão na consciência e faça uma delação”, pediu o deputado João Gualberto (PSDB-BA).

Desabafo

No final do depoimento, Bumlai desabafou. “Eu ouvi uma série de coisas que os senhores vão ver que não são verdade. Minha vida foi construída com muito trabalho e suor”, disse.

Bumlai listou feitos de suas empresas. Disse que construiu a linha de metrô que vai até a estação Itaquera, em São Paulo, bem como 600 km da ferrovia Ferronorte. “Tenho orgulho também de ter o primeiro animal rastreado do país e foi o rastreamento que permitiu ao Brasil, hoje, ser o maior exportador de carne do mundo”, disse.

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