Copom: queda da inflação está com velocidade “aquém da almejada”

Em ata da reunião mais recente, comitê observa que inflação alta requer mais persistência por parte da política monetária. BC trabalha para alcançar meta central de 4,5% em 2017

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – responsável por fixar os juros básicos da economia – avaliou, em ata divulgada nesta terça-feira (26), que o processo de queda da inflação no Brasil “tem procedido em velocidade aquém da almejada” e acrescentou que o “balanço de riscos” indica não haver espaço para corte de juros. No documento, o comitê detalha ainda os motivos que levaram o colegiado a manter, na primeira reunião sob nova direção, a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano.

Veja a íntegra da ata da reunião do Copom

Segundo o Copom, o cenário básico é de desinflação na economia brasileira nos próximos anos. Para 2016, as projeções do BC e do mercado apontam inflação em torno de 6,75%. Para 2017, a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% é uma expectativa do BC, mas no mercado a projeção de desinflação “ocorre em velocidade aquém da perseguida pelo comitê”. Essas projeções são elaboradas com base em dois cenários: o de referência, do BC, feito levando em consideração a atual taxa Selic e câmbio, e o de mercado, em que são consideradas projeções das instituições financeiras para a taxa básica e o câmbio.

O Banco Central avaliou ainda que “há riscos de curto prazo para a inflação no Brasil”. “A elevação recente nos preços de alimentos pode se mostrar persistente, dado o processo de transmissão dos preços do atacado para o varejo. Em contrapartida, o período sazonalmente favorável pode contribuir para uma reversão rápida desses preços”, conclui.

Taxa Selic

O Copom concluiu o atual cenário indica não haver espaço para flexibilização da política monetária, ou seja, não há espaço para corte da Selic. O principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação é a taxa básica de juros, utilizada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação. Quando mantém a taxa, o Copom considera que ajustes anteriores foram suficientes para alcançar o objetivo de controlar a inflação. Desde julho de 2015, os juros básicos estão em 14,25% ao ano, no maior nível desde outubro de 2006.

Nessa primeira reunião do Copom, sob o comando do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldjafn, foram anunciadas mudanças na divulgação das decisões do colegiado. No dia de anúncio da decisão do Copom, na última quarta-feira, a nota passou a ser divulgada exclusivamente no site do BC, imediatamente após o término da reunião, a partir das 18 horas. Anteriormente, além da publicação no site, o BC anunciava a decisão para jornalistas.

Com informações da Agência Brasil

Veja a íntegra da ata da reunião do Copom

 

Mais sobre economia brasileira

Mais sobre crise econômica

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!