Conversa com Dilma foi republicana, diz indicado ao STF

Em sabatina no Senado, novo ministro afirma que conversou com poucas pessoas sobre indicação e que não se posicionou sobre temas em que possivelmente pode atuar

Indicado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso afirmou nesta terça-feira (5) que suas conversas com a presidenta Dilma Rousseff durante o processo de escolha do substituto de Carlos Ayres Britto foram "republicanas". A declaração ocorreu após o senador Pedro Taques (PDT-MT) questioná-lo sobre o caminho percorrido para que chegasse à indicação. Sem citar o caso do ministro Luiz Fux, Taques afirmou que em indicações anteriores existiram "conversas escusas" com os indicados e explicou que por isso fazia a pergunta.

Barroso afirmou que apenas quatro pessoas conversaram com ele sobre a escolha da presidenta Dilma Rousseff. O primeiro a falar da possibilidade da indicação foi o ex-deputado pelo PT Sigmaringa Seixas, amigo pessoal do magistrado. "Ele foi o primeiro a falar que eu era um dos nomes que a presidenta Dilma considerava", disse. Depois, o advogado conversou com o ex-secretário executivo da Casa Civil Beto Vasconcelos.

Perto da data da indicação, feita em 23 de maio, Barroso afirmou que conversou com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que o levou para o primeiro encontro com a presidenta Dilma Rousseff. "Conversamos por aproximadamente uma hora. Ela me fez uma sabatina inteiramente republicana. Conversamos sobre separação dos poderes, sobre royalties e outros temas. Mas foi uma conversa completamente republicana", garantiu. Barroso ainda se encontrou uma segunda vez com a presidenta, segundo ele, por mais vinte minutos.

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, revelou em abril que foi "assediado moralmente" por mais de seis meses para receber Fux, então candidato a ministro do STF. Segundo Dirceu, quando se encontraram, Fux teria falado, "de livre e espontânea vontade", que o absolveria no processo do mensalão. Fux votou pela condenação do ex-ministro.

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