Contestado, futuro ministro do Esporte nega irregularidades

Deputado George Hilton diz que não declarou empresa em débito com a União porque firma estava inativa e que processo por transporte de R$ 600 mil em avião já foi arquivado. Ele afirma que só falará à imprensa após ser nomeado por Dilma

Questionado por sua falta de afinidade com a área esportiva, por ter sido detido pela Polícia Federal com grande soma de dinheiro em um aeroporto e por não ter declarado à Justiça eleitoral empresa com dívida com a União, o futuro ministro do Esporte divulgou duas notas para contestar qualquer envolvimento com irregularidades. Líder do PRB na Câmara, o deputado George Hilton (MG) disse que só conversará com a imprensa, em entrevista coletiva, após ser nomeado pela presidente Dilma.

De acordo com o Correio Braziliense, a Visão Locação e Transportes Ltda., da qual ele é sócio com a esposa, Gorete Cecílio, é cobrada pela Justiça Federal a pagar um débito de R$ 29,6 mil. George Hilton alega que não declarou à Justiça eleitoral ser sócio da Visão Locação e Transportes Ltda. porque a empresa está inativa. “Os eventuais débitos surgidos no período de inatividade foram parcelados junto à Receita Federal, como também já foi providenciado o distrato social, e providenciada sua baixa empresarial", disse.

O juiz da 26ª Vara Federal de Minas Gerais, André Gonçalves Salce, tentou duas vezes penhorar os bens do casal e citou os dois, por edital, em 26 de setembro, depois de não conseguir localizá-los.  Segundo o magistrado, o casal estava em “local incerto e não sabido”.

Coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e idealizador da Lei da Ficha Limpa, o juiz Márlon Reis disse ao Correio que a explicação dada pelo deputado não se sustenta. Ele só poderia deixar de declarar a empresa se ela tivesse sido extinta antes do registro de sua candidatura, afirmou.  “A lei exige, mas não prevê sanção”, lamentou o juiz.

O futuro ministro enfrentou 14 processos judiciais no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Segundo George Hilton, as ações envolvem cobranças e disputas judiciais, além de débitos com o IPTU, “muitos dos quais já arquivados e baixados”. O deputado atribui os processos ao fato de ter figurado como fiador de locação de imóveis para a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é pastor licenciado.

Em 2005, George Hilton foi flagrado no aeroporto da Pampulha, na capital mineira, com R$ 600 mil em espécie (R$ 976 mil em valores atualizados) em 11 caixas de papelão. Na época, ele era deputado estadual pelo PFL de Minas Gerais, que o expulsou da legenda. O deputado justificou que os recursos eram doações de fieis da igreja no sul do estado. “O processo se encontra arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que não foi constatada qualquer irregularidade”, diz o deputado por meio de sua assessoria.

A indicação do deputado para o Ministério do Esporte também tem sido criticada por aliados do governo pela falta de experiência do parlamentar na área. Ele nunca atuou nem apresentou qualquer proposta na área de política esportiva.

Veja a íntegra das duas notas enviadas à imprensa pela assessoria de George Hilton:

“A cerca do noticiário envolvendo sua participação na empresa Visão – Locação e Transportes LTDA, o deputado George Hilton (PRB-MG), esclarece que:

‘A empresa Visão – Locação e Transportes LTDA, inscrita no CNPJ sob o número 07.009.047/0001-65 não teve nenhuma atividade empresarial, portanto não foi declarada junto à Justiça Eleitoral. A empresa encontra-se inativa. Os eventuais débitos surgidos no período de inatividade foram parcelados junto à Receita Federal, como também já foi providenciado o distrato social, e providenciada sua baixa empresarial".

Aproveito  oportunidade para informar que, ato contínuo à nomeação oficial para o cargo de Ministro do Esporte, o deputado George Hilton irá conceder entrevista coletiva, em Brasília.”

“Em relação aos 14 processos que envolvem questões de cobranças e disputas judiciais, além de débitos com IPTU - muitos dos quais já arquivados e baixados -, o deputado George Hilton esclarece que:

Ao longo de vários anos, como pastor (ora licenciado) integrante dos quadros da Igreja Universal do Reino de Deus, onde inclusive ocupou cargos diretivos, por diversas vezes emprestou seu nome como fiador solidário em inúmeras locações de imóveis para as atividades da igreja em todo o Estado de Minas, sendo que alguns dos quais, por questões diversas, redundaram em litígios ou cobranças judiciais, que vêm sendo solucionados à medida em que são dadas as sentenças finais, ou firmados acordos.

No que se refere ao caso dos recursos da Igreja transportados por avião, em 2005, aos cuidados do deputado George Hilton, o processo se encontra arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que não foi constatada qualquer irregularidade.”

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