Contadora diz que deputado recebeu dinheiro de doleiro preso

Contadora que prestou serviços para doleiro preso disse que fazia pagamentos a diversas pessoas e empresas, entre elas o deputado Luiz Argôlo

Dona da empresa Arbor Consultoria e Assessoria Contábil, a contadora Meire Poza confirmou, nesta quarta-feira (13), a existência de uma sociedade entre o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), e o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA). Segundo ela, que prestou serviços contábeis às empresas do doleiro por quase quatro anos, outros parlamentares também receberam dinheiro do esquema. “O Alberto era um banco. Ele pagava contas, dava dinheiro, dava presentes, emprestava. Eu fazia TEDs (transferência eletrônica disponível) e pagamentos que não tenho conhecimento do que se tratava”.

De acordo com Meire, Argôlo e Youssef tinham uma relação de amizade e os dois são sócios da empresa Malga Engenharia. “Mas [o nome do parlamentar] não está no contrato social. Nem o de Alberto”, complementou. Segundo ela, o deputado era chamado de “bebê Johnson” por Youssef.

As declarações foram dadas ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, onde Argôlo responde a processos por conta da relação com o doleiro. Questionada sobre as empresas do doleiro que eram usadas para lavagem de dinheiro, Meire afirmou que “a única empresa [do doleiro] em que eu não vi nenhuma saída ilegal de dinheiro foi a Marsans [empresa de viagem] e os hotéis”.

Convidada a depor pelo relator do caso, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), a contadora disse que Argôlo recebeu dinheiro por mais de uma vez e que algumas transações bancárias para envio de dinheiro para o parlamentar foram feitas em nome de pessoas ligadas ao deputado, mas nunca para a conta dele. Segundo ela, Argôlo “vivia no escritório de Youssef” e ela mesma foi responsável por repassar quantias ao deputado.

Em depoimento à Polícia Federal, Meire já havia relatado que os dois eram sócios e mantinham parceria em obras e negócios. As declarações foram divulgadas pela revista Veja no último final de semana. Meire Poza afirmou que parte do dinheiro era fruto de desvios de obras públicas e que Youssef ainda cobrava propina de empresários que queriam fechar negócios com a Petrobras.

O relator Marcos Rogério informou que pretende apresentar seu parecer no início de setembro. Hoje, ela disse que se limitaria a falar sobre Argôlo e não sobre outros parlamentares envolvidos com Youssef. Concluiu que os negócios do deputado baiano com o doleiro eram ilícitos. A Operação Lava Jato foi deflagrada em março último para desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

 

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