Conselho dispensa petistas de oitiva em processo contra André Vargas

Conselho se reuniu pela segunda vez para tentar ouvir testemunhas indicadas por relator, que deve apresentar relatório até o dia 24 de julho

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dispensou, nesta quarta-feira (25), o depoimento do presidente do PT, Rui Falcão, e do líder do partido na Casa, deputado Vicentinho (SP), no processo sobre o suposto envolvimento do deputado André Vargas (ex-PT-PR) com o doleiro Alberto Youssef em negócios ilícitos. Youssef está preso sob a acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

Havia a previsão de que Falcão e Vicentinho fossem ouvidos hoje pelo conselho. Relator do processo, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirmou que os dois petistas foram dispensados porque eles não se manifestaram sobre o convite para prestar esclarecimentos acerca da postura de Vargas, que se desfiliou do PT após o surgimento das denúncias de que teria favorecido e se beneficiado da relação com o doleiro.

O Conselho de Ética não tem poder para convocar testemunhas, podendo apenas convidá-las. O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, também foi dispensado. Ele alegou que não poderia comparecer à sessão em razão de “compromissos inadiáveis”. Ele é suspeito de ter intermediado as negociações entre a pasta e o laboratório Labogen, cujo dono seria Youssef.

Na avaliação do relator do processo, há uma "manobra" para que seja adiada a análise do processo que pode culminar na cassação do mandato parlamentar de André Vargas. Outras cinco pessoas indicadas pelo relator marcaram outras datas para depor. Hoje o conselho se reuniu pela segunda vez para tentar ouvir testemunhas. Youssef deverá ser ouvido por videoconferência no dia 2 de julho -- a partir dessa data, testemunhas indicadas pela defesa de Vargas também deverão ser ouvidas.

Júlio Delgado pediu nesta quarta ao Ministério da Saúde a relação completa de políticos e empresários que se reuniram com o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), candidato ao governo de São Paulo, e com Carlos Gadelha entre agosto de 2013 até hoje. Ele tem até o dia 24 de julho para concluir seu relatório, mas pretende submetê-lo ao conselho até o dia 17 próximo, antes do recesso parlamentar.

 

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