Conselho de Ética instaura processo por quebra de decoro contra Jean Wyllys após cuspe em Bolsonaro

Pedido de instauração foi assinado pelo corregedor da Câmara. Em seu parecer, Carlos Manato sugere a perda de mandato. Entretanto, decisão final só poderá ser tomada pelos membros do colegiado

Divulgação/Agência Brasil
A Mesa Diretora da Câmara solicitou, nesta terça-feira (4), ao Conselho de Ética da Casa a instauração do processo que vai apurar a quebra de decoro parlamentar de Jean Wyllys (Psol-RJ). Ele é acusado de cuspir em Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a sessão de votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff realizada no dia 17 de abril no plenário.

O pedido da Mesa foi protocolado após sinalização do corregedor da Câmara, Carlos Manato (SD-ES). De acordo com ele, existiam seis pedidos de abertura de processo contra o deputado do Psol. Em seu parecer, Manato sugeriu a perda de mandato do parlamentar. Entretanto, a decisão final só poderá ser tomada pelos membros do colegiado.

“Achamos que deveria ir para o Conselho de Ética porque o grau de infração era um grau que, segundo o nosso código de ética, merece uma suspensão de mandato”, disse Manato.

Como a solicitação foi assinada pela Mesa Diretora, assim que o relator for designado, o processo será automaticamente admitido. Entre os possíveis responsáveis pela elaboração do parecer estão Leo de Brito (PT-AC), Zé Geraldo (PT-PA) e Ricardo Izar (PP-SP). O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), deve decidir qual dos três vai relatar o processo nos próximos dias.

Entenda

Os deputados Jean Wyllys (Psol-RJ) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltaram a se enfrentar no plenário da Câmara, durante a votação para a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Depois de anunciar seu voto contrário ao afastamento de Dilma e de chamar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de “canalha”, Jean cuspiu em Bolsonaro.

Em sua página no Facebook, o deputado do Psol explicou que foi insultado pelo parlamentar do PSC. “O deputado fascista viúva da ditadura me insultou, gritando ‘veado’, ‘queima-rosca’, ‘boiola’ e outras ofensas homofóbicas e tentou agarrar meu braço violentamente na saída”, contou.

Jean Wyllys disse que não se envergonha do que fez e que não saiu do “armário” para ficar quieto ou com medo desse “canalha”. Segundo ele, Bolsonaro cospe o tempo todo na democracia e nos direitos humanos.

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